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Dinheiro para famílias pobres diminui mortalidade infantil pela metade, diz estudo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 28/08/2025 às 14:00 · Atualizado há 1 semana
Dinheiro para famílias pobres diminui mortalidade infantil pela metade, diz estudo
Foto: Reprodução / Arquivo

A cada mil bebês nascidos no Quênia, 32 morrem antes de completar um ano, segundo dados do Banco Mundial. A mortalidade infantil ainda é um problema gravíssimo em países pobres – e estratégias para combatê-la incluem vacinação em massa, distribuição de medicamentos e auxílio nutricional para recém-nascidos. 

Agora, um novo estudo mostrou que uma abordagem relativamente simples é bastante eficiente em salvar a vida das crianças: dar dinheiro para suas famílias.

Um programa social que forneceu mil dólares para mulheres grávidas na Quênia sem exigir contrapartidas reduziu a mortalidade infantil em 49%, revelou o novo estudo que analisou dados coletados em uma década. A mortalidade até os cinco anos também caiu drasticamente: -45%.

São reduções relevantes, comparáveis – ou até maiores – que outras estratégias comprovadamente eficazes, como imunização ou tratamentos contra a malária.

O estudo foi feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade de Oxford, e publicado pelo National Bureau of Economic Research, um instituto de pesquisa americano.

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A conclusão sugere que mesmo quantias pequenas de dinheiro podem ter um grande impacto na mortalidade infantil, especialmente quando a transferência ocorre imediatamente antes ou depois do nascimento do bebê.

Programas de transferência de renda, em que o Estado paga quantias diretamente a população pobre, não são novidade e são aplicados em todo o mundo. A maioria dessas iniciativas é do tipo condicionada, ou seja, possuem exigências para que as famílias recebam a grana. 

No Brasil, por exemplo, o Bolsa Família requer que as crianças estejam matriculadas em escolas, comparecendo às aulas e com o calendário de vacinação em dia. Outros projetos mundo afora limitam como o dinheiro pode ser usado, priorizando gastos como alimentação e transporte e evitando, assim, que o Pix acabe bancando o consumo de drogas ou álcool.

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No Quênia, a ONG GiveDirectly decidiu fazer diferente: a partir de 2014, a organização enviou transferências de US$ 1.000 para milhares de famílias aleatórias em 653 vilarejos espalhados pelo país africano. O valor parece pouco, mas era o suficiente para cobrir cerca de 75% das despesas médias dos beneficiários durante um ano. Com um detalhe importante: não havia nenhuma sugestão de como gastar o dinheiro, nem condições para receber a grana (exceto ser uma família pobre).

Uma década depois, pesquisadores que não tinham relação com o projeto decidiram analisar o sucesso do programa. Eles compararam os dados de famílias que haviam recebido as transferências com as que nunca fizeram parte da iniciativa. Como a seleção era aleatória, havia uma espécie de experimento científico acontecendo no país.

Como já era esperado, os resultados mostraram que houve uma redução da pobreza entre as famílias beneficiadas. O dado que surpreendeu, porém, foi o da queda pela metade da mortalidade infantil.

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Os motivos que explicam a redução são vários: mulheres grávidas que recebiam o auxílio financeiro descansavam mais e se alimentavam melhor, enquanto as que não participaram do programa trabalhavam, em média, o dobro – e muitas vezes pulavam refeições por falta de dinheiro.

Além disso, entre os beneficiários, a proporção de partos em hospitais (e não nos domicílios) era maior. Não à toa, o impacto positivo foi maior em famílias que moravam perto de hospitais, e a grana fazia mais diferença quando a transferência acontecia próxima da data do parto.

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