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Após quase cem anos, túneis subterrâneos em Roma serão reabertos ao público

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 29/07/2025 às 14:00 · Atualizado há 1 semana
Após quase cem anos, túneis subterrâneos em Roma serão reabertos ao público
Foto: Reprodução / Arquivo

Após quase cem anos fechados, túneis subterrâneos localizados sob o Monte Capitolino, em Roma, na Itália, estão prestes a se tornar uma nova atração turística da cidade. 

Conhecido como Grottino del Campidoglio (ou Gruta Capitolina), o complexo será aberto ao público entre o final de 2026 e o início de 2027, após passar por obras de restauração e adaptação.

A rede de cavernas ocupa cerca de 3.900 metros quadrados e se estende por até 300 metros de profundidade. A área fica sob locais históricos como o Fórum Romano, o Teatro de Marcelo e a Praça Capitolina, a cerca de 21 metros abaixo da superfície. 

Segundo arqueólogos, parte dessas estruturas já era utilizada antes mesmo da era de Júlio César (100-44 a.C.).

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O local foi visitado recentemente com exclusividade pela CNN, que acompanhou a arqueóloga Ersilia D’Ambrosio pelos corredores úmidos e escuros da gruta, onde a temperatura fica em torno de 13 °C, bem abaixo dos 35 °C registrados na superfície durante o verão. 

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Ninguém vê essas cavernas e túneis há mais de um século

— afirmou à emissora.

As cavernas tiveram diferentes funções ao longo dos séculos: serviram como pedreiras, cisternas, armazéns, lojas, tavernas e até moradias populares. No século 19, o local abrigava uma comunidade operária que vivia em habitações modestas construídas nas encostas da colina. 

O uso contínuo foi interrompido na década de 1920, quando Benito Mussolini ordenou o fechamento e o aterramento de grande parte dos túneis como parte de seu plano de modernização da capital italiana. O objetivo era estabilizar o monte e abrir espaço para novas intervenções urbanas.

Apesar disso, durante a Segunda Guerra Mundial, alguns trechos foram reabertos e usados como abrigo antiaéreo, com portas reforçadas e banheiros improvisados ainda visíveis. Segundo pesquisadores, havia inclusive uma pequena enfermaria instalada ali durante os bombardeios de 1943.

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A restauração do Grottino é conduzida pelo grupo de arquitetura Insula, especializado em conservação patrimonial. As obras incluem reforço estrutural, instalação de iluminação, acessibilidade e um sistema de ventilação forçada – necessário para controlar os níveis de radônio, gás natural emitido pelas rochas vulcânicas da região. 

Os trabalhadores são monitorados constantemente quanto à exposição ao gás, e filtros especializados serão instalados para purificar o ar.

Antes do início das obras, arqueólogos usaram escaneamento a laser para mapear o sistema de túneis e registrar marcas de escavações anteriores. Uma exposição permanente com imagens, vídeos e informações sobre o processo será instalada ao longo do percurso subterrâneo.

Parte das galerias ainda está sendo estudada. Durante os trabalhos iniciais, os arqueólogos encontraram alicerces que podem pertencer a uma estrutura pré-romana associada ao antigo Templo de Júpiter Capitolino, além de inscrições medievais e fragmentos de afrescos.

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Um sistema de monitoramento sísmico também será implementado para acompanhar possíveis movimentações do solo.

O trajeto será acessível apenas por visitas guiadas, com controle rigoroso de público para garantir a segurança dos visitantes e preservar a integridade da estrutura. Um museu será instalado em um nível superior, com objetos recuperados nas escavações e trazidos de volta dos depósitos dos Museus Capitolinos, como vasos, ânforas e argolas de ferro – possivelmente usadas para amarrar animais no interior da gruta.

Segundo D’Ambrosio, a experiência no Grottino foi concebida para reunir arqueologia e espeleologia, e deve atrair um público interessado em aspectos menos óbvios da história romana. 

A área nunca foi aberta ao público da forma que será. Foi utilizada pela população, serviu como armazéns, lojas, tavernas, mas nunca como um local de visitação, como será agora

— concluiu.
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