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Na manhã do último domingo (7), dois homens armados entraram na Livraria Mário de Andrade, no núcleo de São Paulo. Eles renderam uma vigilante e um parelha que visitava a mostra e retiraram treze gravuras de Henri Matisse e Candido Portinari de um mesmo setor da exposição.
A ação, registrada pelas câmeras, durou poucos minutos: a dupla caminhou até a porta principal com as obras em mãos e fugiu em um sege estacionado nas proximidades. No dia seguinte, um dos suspeitos – já publicado por outros crimes – foi recluso. O segundo permanece homiziado.
Roubo de obras raras, porquê o que ocorreu em São Paulo, não é um fenômeno incomum. Há 35 anos, um caso nos Estados Unidos consolidou-se porquê o maior roubo de arte da História – e até hoje ninguém sabe onde estão as peças.
Era madrugada de 18 de março de 1990 quando dois homens usando uniformes da polícia tocaram o interfone do Museu Isabella Stewart Gardner, em Boston. Alegaram responder a uma ocorrência de perturbação. A história parecia real, já que era noite do Dia de São Patrício, quando a cidade costuma festejar até tarde. O segurança de plantão violou o protocolo e abriu a porta de serviço para receber os supostos policiais
Ao entrar, a dupla anunciou que havia um mandado e ordenou que o vigia se afastasse da guarita. Em poucos minutos, ele e um segundo guarda estavam no subsolo, imobilizados com fita adesiva e algemados a tubos metálicos. Ficariam ali até às 8h15 da manhã seguinte, quando a polícia real chegou.
Com o museu sob controle, os ladrões começaram a percorrer as salas. Os sensores de movimento registraram cada passo, permitindo aos investigadores reconstituir a rota com precisão.
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O foco inicial foi a Sala Holandesa, no segundo andejar, onde ficava segmento das pinturas mais valiosas da coleção pessoal reunida pela filantropa Isabella Stewart Gardner no início do século 20. Ali, os assaltantes arrancaram das molduras as obras Cristo na Tempestade no Mar da Galileia e Um Cavalheiro e uma Mulher de Preto, de Rembrandt.
Levaram também O Concerto, de Vermeer – uma das tapume de 35 pinturas conhecidas do artista – e a obra Paisagem com Obelisco, de Govaert Flinck. Também tomaram uma pequena gravura de autorretrato de Rembrandt e um velho recipiente de bronze chinês.
Em seguida, foram para a Galeria Curta e recolheram cinco desenhos de Degas e o remate de uma águia dourada que ornava uma bandeira da Guarda Imperial de Napoleão. Antes de fugir, passaram ainda no Salão Azul, no primeiro andejar, e retiraram Chez Tortoni, de Édouard Manet. A moldura da obra foi abandonada mais tarde na sala de segurança.
Às 2h45, posteriormente menos de 90 minutos dentro do prédio, a dupla saiu em duas viagens até o sege. Ao todo, 13 peças desapareceram, avaliadas em mais de meio bilhão de dólares. Algumas das pinturas, porquê a de Vermeer, eram tão raras que sua falta representou perda irreparável para o montão mundial.
E o roubo deixou outro rastro duro de ignorar: cinco molduras vazias permanecem penduradas até hoje, porquê Gardner determinou em testamento. Sua coleção não poderia ser alterada sob nenhuma estado – nem mesmo posteriormente um violação dessa graduação.
A investigação
A investigação começou imediatamente, mas nunca terminou. Nos anos seguintes, as autoridades seguiram pistas em Boston, em outros estados e até no exterior. O jornalista Stephen Kurkjian, responsável do livro Master Thieves, contou à CNN que, por muito tempo, acreditou-se que James “Whitey” Bulger, o mafioso mais notório de Boston, estivesse envolvido no violação.
A hipótese perdeu força quando se constatou que Bulger não controlava a superfície onde o museu ficava Não havia indícios de que seus integrantes houvessem participado da ação, e nenhuma pista surgida ao longo da investigação o conectava ao roubo. Outros nomes ligados ao violação organizado sítio começaram a brotar: Carmello Merlino, Frank Salemme, Stephen Rossetti e Robert Donati. Muitos deles morreram sem dar respostas.
Em 2013, o FBI afirmou ter identificado os dois ladrões, mas não divulgou os nomes. A sucursal disse confiar que segmento das obras seguiu para Connecticut e Filadélfia antes de chegar às mãos de Robert Guarente, ligado à máfia. Segundo informações fornecidas por sua esposa, Elaene, Guarente teria repassado algumas peças ao também mafioso Robert “The Cook” Gentile.
Em buscas feitas em 2013 na moradia de Gentile, zero foi encontrado além de uma lista das obras roubadas. Gentile morreu em 2021 negando qualquer relação com o caso. O FBI o tratava porquê o último suspeito vivo.
A risca mafiosa não era o único fio investigativo. Em 2015, o FBI divulgou imagens de um varão incógnito entrando no museu na noite anterior ao roubo, pela mesma porta usada pelos criminosos. O gesto reacendeu teorias de verosímil conivência interna. Um oferecido reforça o mistério: os detectores de movimento não registraram atividade na Sala Azul, de onde Chez Tortoni foi levado, apesar de a moldura ter sido deixada na sala de segurança.
Para o ex-agente privativo Bob Wittman, também ouvido pela CNN, a falta de registro é significativa: “No FBI, descobrimos que tapume de 89% dos roubos a museus são crimes cometidos por pessoas de dentro. É mal esses objetos são roubados”.
Havia ainda teorias mais improváveis e internacionais. Por volta de 2005, a investigação se desviou para a Córsega posteriormente surgirem franceses supostamente ligados à máfia sítio tentando vender um Rembrandt e um Vermeer. Wittman participou de uma operação para recuperá-los – mas o projecto fracassou, e os homens foram presos por outro caso de tráfico de arte.
A hipótese de envolvimento corso ganhou uma curiosidade narrativa: um dos itens roubados era justamente o ornamento de águia de uma bandeira napoleônica, símbolo associado à ilhéu onde Napoleão nasceu.
Outros suspeitos históricos também orbitavam o caso. Myles Connor, ladrão de arte e músico que já havia subtraído um Rembrandt do Museu de Belas Artes de Boston nos anos 1970, foi investigado. Mas tinha álibi, já que estava recluso na quadra do roubo ao Museu Gardner.
A diretoria do museu, assim porquê o FBI, investiu milhões na procura pelas obras. Anthony Amore, diretor de segurança da instituição e investigador do caso desde 2005, disse ao conduto A&E Transgressão + Investigation: “Estamos fazendo todo o verosímil para restabelecer as obras”. Em outra enunciação ao mesmo veículo, comentou o repto: “É impossível proferir se as peças ainda estão juntas ou separadas”.
E acrescentou que a solução virá de métodos tradicionais, não de especulações online: “Investigações sobre roubo de arte são complicadas porque não são resolvidas lendo a internet. Elas são resolvidas por meio de trabalho investigativo à tendência antiga”.
Décadas depois, o museu permanece marcado pelo que perdeu. Paradoxalmente, o item mais valioso da coleção – O Rapto de Europa, de Ticiano – não foi tocado pelos ladrões. A obra é muito maior e mais pesada que as demais (mede tapume de 1,8 metro por 2,1 metros), o que pode explicar por que ficou para trás.
A investigação nunca esclareceu se os criminosos sabiam exatamente o que estavam levando. Amore acredita que os Rembrandts eram os alvos principais: todo Rembrandt que poderia ser retirado da parede foi removido. O caso segue destapado e sem perspectivas concretas de solução.
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