Por Amanda Miranda (Especial para o ICL Notícias)
Dois homens caminham de braços dados em uma das ruas mais movimentadas do centro de Florianópolis quando são inesperadamente atacados por um guarda municipal que os atinge com spray. Na sequência, um outro guarda os intimida com um jogo de corpo portando um cacetete. Sem reagir, os dois homens mudam a rota e caminham na direção oposta, onde a poucos passos um outro guarda usa uma arma em direção ao chão.
O vídeo de 45 segundos registra dias de truculência vividos pelos foliões do Carnaval de Florianópolis, que instituiu um toque de recolher às 2h, mas cujos relatos asseguram que a ação desproporcional começou antes, tanto por parte da Guarda Municipal como da Polícia Militar.
“Protocolei na Câmara um pedido para convocar o comandante da Guarda Municipal, Andrey de Souza Vieira, para dar explicações no legislativo”, afirmou o vereador Leonel Camasão (PSOL), que recebeu inúmeros vídeos com registros das ações.
No domingo, noite em que os foliões também comemoravam a conquista histórica do Oscar com o filme “Ainda estou aqui”, a vereadora Carla Ayres também usou suas redes para relatar truculência e desproporção na ação das forças de segurança. “Não havia tumulto ou brigas que motivasse uma intervenção agressiva dessa forma. A violência teve início antes mesmo das 2h, horário definido para o encerramento da folia no local. Minha total solidariedade a todas as pessoas agredidas de forma tão covarde”, escreveu, nas redes sociais.
Dias antes de a festa começar, em 23 de fevereiro, o prefeito da cidade, Topázio Neto (PSD), anunciou segurança reforçada nas ruas durante o carnaval, mas para prevenir casos de roubo e furto. “A gente sabe que o principal foco da ‘bandidagem’ são os celulares na multidão”. O prefeito também usa uma fala do governador Jorginho Mello sobre as câmeras de reconhecimento facial instaladas na cidade.
Prefeito da cidade, Topázio Neto (PSD).
As ações registradas pelos foliões, no entanto, mostram a população pacífica sendo dispersada com a força policial e da guarda. A secretaria de segurança da cidade, a vice-prefeita Maryenne Mattos (PL), que também atua na guarda, gravou um vídeo falando sobre a importância de evitar “garrafas de vidro”, justificando a apreensão por razões de segurança. No entanto, ela não se manifestou sobre a força desproporcional utilizada para dispersar foliões do centro.
Em nota, a Prefeitura de Florianópolis, que se aproxima cada vez mais do estilo bolsonarista do governador Jorginho Mello, informou que “todas as festividades de Carnaval da Capital devem seguir os horários estabelecidos para blocos, arenas e festas em espaços públicos”.
A Prefeitura também atribui aos foliões a responsabilidade pela violência. “Infelizmente, há registros de resistência, incluindo agressões e arremesso de objetos cortantes contra os profissionais que atuam na operação de segurança da cidade”, diz a nota. Não há imagens disponibilizadas pelo órgão para reforçar essa versão.
Com relação ao vídeo de 45 segundos citado no início deste texto, a assessoria de imprensa da secretaria de segurança e ordem pública disse ser “difícil dizer o contexto apenas com esse recorte” e não respondeu quando questionada se a guarda não é orientada a conversar com os foliões antes de optar pelo uso da força.
À imprensa local, a Polícia Militar disse que só vai comentar as operações de Carnaval após o fim da festa.
Veja os vídeos