
Preso nesta segunda-feira, 23, na segunda fase da Operação Overclean, que apura desvios de mais de 1,4 bilhão de reais por meio de contratos fraudulentos com o poder público em diversos muniípios brasileiros, o vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Galvão Cafezeiro (Republicanos), teria recebido 140 mil em propinas do grupo criminoso, segundo a investigação da Polícia Federal. Além disso, foi flagrado pedindo ao homem apontado como chefe do esquema para que ele pagasse contas pessoais em seu nome.
De acordo com a investigação, os valores teriam sido recebidos entre junho de 2021 e maio de 2022. Em representação enviada à Justiça Federal, o Ministério Público Federal aponta indícios de direcionamento no processo licitatório feito pela prefeitura de Lauro de Freitas em favor da PAP Saúde Ambiental Eireli, empresa administrada por Alex Parente, apontado como líder da organização criminosa investigada pela operação Overclean. Segundo os investigadores, além de vice-prefeito, Cafezeiro era responsável por gerir o Fundo Municipal de Saúde, de onde saíram os recursos que subsidiaram os pagamentos para o grupo criminoso em favor da PAP Saúde Ambiental.
Em uma interceptação telefônica autorizada pela Justiça, a Polícia Federal identificou que Cafezeiro pediu a Parente para que ele pagasse duas contas em aberto referentes a mensalidades do aluguel de um veículo, de pouco mais de 2,1 mil reais. A prova foi referendada pelo Ministério Público Federal, que apresentou representação na qual solicita o cumprimento de mandados de busca e apreensão da primeira fase da operação.
“O MPF ressalta que VIDIGAL solicita a Alex que acerte o pagamento do aluguel do veículo HB20, cuja soma das duas faturas em aberto equivale a R$ 2.185,42, apesar da dívida ter sido supostamente contraída por Vidigal, sem justificativa aparente a não ser pelo fato de Alex ter contrato com a Prefeitura de Lauro de Freitas”, aponta o juiz federal Fabio Moreira Ramiro, da 2ª Vara federal de Salvador, que autorizou a operação.
Cafezeiro é médico e foi candidato a vice-prefeito quando a titular, Moema Gramacho (PT) tentou a reeleição. O vice, no entanto, rompeu com a prefeita durante o mandato. Na campanha deste ano, ele apoiou a candidata do União Brasil Débora Régis (União Brasil). A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Lauro de Freitas mas não obteve resposta.
O vice-prefeito é um dos quatro alvos de mandados de prisão preventiva autorizados pela Justiça nesta segunda-feira. Além dele, também foram presos o secretário de Mobilidade do município de Vitória da Conquista (BA), além de um lobista e um policial federal. Na primeira fase da operação, deflagrada no início do mês, 13 pessoas foram presas, mas parte delas já foi libertada.
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