Professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conselheiro Estratégico do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP). Autor e idealizador da série Resistência Negra, da Globoplay.
Tancredo da Silva Pinto nasceu no Cantagalo. Escritor, compositor e sambista, o sacerdote é considerado o organizador do culto Omolokô no Brasil.
Tancredo foi um dos responsáveis direto pela reunião dos adeptos dos cultos afro-brasileiros, no século 20, em federações umbandistas, a fim de defenderem os seus direitos de ter e cultuar uma religião afro‑brasileira.
Sua trajetória, que tive a honra de descrever no meu livro “Marchar Não é Caminhar”, foi marcada pela intensa luta pela reafricanização, ganhou adesão dentro e fora dos cultos de umbanda, e por seus discursos políticos em defesa da liberdade religiosa.
Dentre os seu legados está a criação da Congregação Espírita Umbandista, que contou em sua diretoria com a presença de companheiros dissidentes da Confederação Espírita, bem como com novos membros, alguns, inclusive, influentes na política, como Marcelo Medeiros, deputado federal eleito com as articulações políticas de Tatá Tancredo.
Medeiros, orientado por Tancredo, conquistou, na década de 1970, avanços para a comunidade religiosa com um processo que garantiria, dentro da Lei do Silêncio, a preservação do culto da umbanda.
Mesmo diante do contexto de perseguições e tentativas de silenciamento, Tatá Tancredo da Silva Pinto obteve reconhecimento, prestígio e respeito em âmbito nacional e internacional.
Reconhecido nas mais distantes regiões do Brasil, o sacerdote era conhecido pela sua imensa bondade, alegria, generosidade e sabedoria. Uma pessoa extremamente dedicada à prática e à defesa dos cultos de matrizes africanas.
Rememorar e contar a sua trajetória é um ato político e em prol da tolerância, para que as próximas gerações possam compreender que as pessoas adeptas das religiões de matrizes africanas nunca ficaram inertes diante das perseguições que sofriam.
Divisão no continente impediu que uma declaração final fosse adotada
Fonte: Agências