Famílias ensinam gestos a seus filhos, de modo que eles expressem suas vontades antes mesmo de aprenderem a falar.
Essa prática não tem relação com a comunidade surda e é totalmente diferente da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Quando o bebê tem de 6 a 8 meses, já desenvolveu a coordenação motora fina a ponto de conseguir fazer certos sinais.
Os pais, então, ensinam a ele gestos que representam, por exemplo: “água”, “quero mais”, “mamar”, “trocar fralda” e “dormir”.
Segundo especialistas, se bem aplicada, técnica não ocasiona atraso na fala em bebês de desenvolvimento típico.
Sinais permitem que bebês se comuniquem antes de aprender a falar
Quanto antes o bebê consegue comunicar uma necessidade sem precisar chorar, mais fácil a nossa vida, né?
— diz a influenciadora digital Marina Godward, em vídeo que viralizou nesta semana. Ela conta que virou adepta da chamada “linguagem de sinais”: uma técnica praticada por famílias para ensinar gestos a seus filhos, de modo que eles expressem suas vontades antes mesmo de aprenderem a falar.
‼️E um aviso importante: essa prática não tem relação com a comunidade surda e é totalmente diferente da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Quando falamos de gestos com bebês ouvintes, estamos falando de sinais mais transparentes, convencionados dentro da família, sempre associados à fala
— diz o especialista, que também é professor da Divisão de Educação, Reabilitação e Distúrbios da Comunicação (Derdic) da PUC-SP.
Isso ocorre um pouco antes da coordenação oromotora, necessária para organizar palavras. Ou seja: a criança consegue expressar de forma não verbal o que quer
— Quando o bebê tem de 6 a 8 meses, já desenvolveu a coordenação motora fina a ponto de conseguir fazer certos gestos. , explica Anderson Nitsche, neurologista infantil do Hospital Pequeno Príncipe (HP).
Os pais, então, ensinam a ela gestos que representam, por exemplo: “água”, “quero mais”, “mamar”, “trocar fralda” e “dormir”. Há materiais gratuitos disponíveis na internet com sugestões de sinais para cada ação — mas não é um código universal. As famílias podem ter os seus próprios, desde que usem sempre o mesmo padrão com o bebê.
➡️É fundamental que os adultos, ao usarem os sinais, SEMPRE pronunciem as palavras ao mesmo tempo.
Você quer perguntar se seu filho quer mais fruta? Pode juntar as pontas dos dedos, formando uma “conchinha” com cada mão e juntando a esquerda e a direita, desde que fale, no mesmo momento: “Você quer mais fruta?”.
Marina usa este sinal para representar o pedido de "mais" — Foto: Reprodução/Marina Godward
A tendência é que o bebê vá construindo a associação entre gesto e mensagem — com a repetição, passará a fazer essa mesma “mímica” quando quiser mais comida, mas ainda não souber falar.
O gesto deve ser um estímulo extra de comunicação. Em crianças de desenvolvimento típico, se os sinais sempre forem apresentados pelos adultos junto com fala, não causarão atrasos na oralidade, afirmam os especialistas entrevistados pelo g1.
É bom sempre interpretar o gesto da criança e fazer uma pergunta em seguida, para que ela ouça as palavras e amplie seu vocabulário. ‘Quer comida? Você quer comida?’. Se ela só apontar para algo ou fizer o sinal e já receber o que quer, vai ser menos incentivada a começar a falar
— afirma Mariana Peters, fonoaudióloga da Falafetiva - Espaço de Fonoaudiologia.
A tendência é que, quanto mais palavras o bebê aprender a pronunciar, mais ele abandone naturalmente os gestos.
‼️E atenção: usando ou não a linguagem de sinais para bebês, é fundamental estar atento aos marcos do desenvolvimento.
Com 1 ano, a criança precisa falar duas ou três palavrinhas. Entre 18 e 24 meses, associar duas palavras. E, por volta dos 3 anos, uma pessoa que não a conheça precisa conseguir entendê-la.
— Ferlin detalha:
Não se acomode ao fato de o bebê crescer, não falar, mas conseguir se expressar por sinais.
Olívia, filha de Marina, aprendeu a sinalizar aos 9 meses — Foto: Reprodução/Redes sociais
Não! Para os especialistas, a principal mensagem é de equilíbrio. Gestos podem ajudar, mas não substituem o afeto, a interação e a linguagem oral.
Ou seja: a técnica não traz prejuízos, mas está longe de ser algo obrigatório.
A maior parte das pesquisas científicas sobre sinais na infância foca em crianças surdas ou em contextos de bilinguismo em línguas de sinais. Entre os poucos estudos específicos com bebês ouvintes, há a indicação de efeitos positivos.
Por outro lado, há quem venda a técnica como uma “fórmula mágica” para deixar a criança com QI maior. Não se engane.
Influenciadora Addie McCracken compartilha o que já ensinou aos filhos em linguagem de sinais — Foto: Reprodução/Redes sociais
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