O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ter ainda uma última conversa com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, na tentativa de adiar sua saída do comando da pasta. A estratégia do Planalto é postergar a decisão ao menos até a tramitação e votação da PEC da Segurança Pública, considerada uma das principais apostas do governo na área e vista como central para reorganizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
Nos bastidores, a saída de Lewandowski é tratada como iminente e já tem data no radar. Caso Lula não consiga demover o ministro da decisão, a expectativa é que Lewandowski deixe oficialmente o cargo na próxima sexta-feira, dia 9. A informação foi confirmada pelo ICL Notícias junto a membros do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O ministro já comunicou a interlocutores próximos e ao próprio presidente sua disposição de sair, alegando motivos pessoais e a avaliação de que cumpriu seu ciclo à frente da pasta e pegou secretários e assessores de surpresa.
Ainda assim, Lula resiste a aceitar a decisão de imediato. No Planalto, a leitura é de que uma troca no comando do Ministério da Justiça neste momento pode fragilizar a articulação política em torno da PEC da Segurança Pública, abrindo espaço para ruídos no Congresso e atrasando uma agenda considerada estratégica pelo governo.
A proposta de emenda constitucional é vista como um marco para a política de segurança pública, ao consolidar diretrizes nacionais e fortalecer a coordenação entre União, estados e municípios. Integrantes do governo avaliam que a saída de Lewandowski antes da votação poderia gerar questionamentos sobre a condução do tema e oferecer argumentos a setores contrários à proposta.
Membros do entorno presidencial relatam que Lula trabalha com a hipótese de convencer o ministro a permanecer por mais algumas semanas, tempo suficiente para avançar com a PEC no Legislativo. A ideia é garantir estabilidade institucional e previsibilidade na condução da política de segurança, evitando que o debate sobre a sucessão no ministério contamine a tramitação da proposta.
Mesmo se houver acordo para uma permanência temporária, a avaliação predominante em Brasília é de que a saída de Lewandowski é apenas uma questão de tempo. O ministro tem reiterado a intenção de deixar o cargo e não esconde o desgaste acumulado ao longo do primeiro ano à frente do MJSP, marcado por embates com governadores, críticas de setores do Congresso e dificuldades para fazer avançar projetos estruturantes na área de segurança pública.
A possível saída de Lewandowski também reacende a discussão sobre uma reforma mais ampla na estrutura da pasta. No governo, voltou a circular a hipótese de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, recriando um ministério exclusivo para a área de segurança. O tema ainda é tratado com cautela, mas aparece como pano de fundo das conversas sobre a sucessão e o futuro da política de segurança do governo.
Até que a decisão seja formalizada, o Planalto tenta ganhar tempo. A expectativa é que a conversa final entre Lula e Lewandowski ocorra nos próximos dias, em um esforço derradeiro para alinhar o calendário político do governo com a transição no comando de uma das pastas mais sensíveis da Esplanada.
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