Publicidade
Capa / Brasil

Relato de jornalista expõe marcas da violência do regime de Maduro

A repressão ao trabalho da imprensa na Venezuela tem marcado profundamente a rotina de jornalistas no país. Em 2019, quando a situação já era de extrema tens...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 14:41 · Atualizado há 1 dia
Relato de jornalista expõe marcas da violência do regime de Maduro
Foto: Reprodução / Arquivo
A repressão ao trabalho da imprensa na Venezuela tem marcado profundamente a rotina de jornalistas no país. Em 2019, quando a situação já era de extrema tensão, quase 80 profissionais de imprensa foram detidos e muitos acabaram deixando o país em busca de proteção contra a perseguição do regime.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Jesus Medina, repórter cinematográfico que foi preso 11 vezes e passou quase dois anos em um dos piores presídios da Venezuela. Em relato ao jornalista Renan Fiuza, da CNN, Medina revelou ter sido torturado durante sua detenção.

"Estas cicatrizes que eu tenho no corpo não são só minhas, são cicatrizes de uma nação. Eu sou parte de um elo do que aconteceu com milhões de venezuelanos. Sou uma amostra física e tenho uma voz onde me podem escutar, mas há milhares atrás que não podiam ser escutados. Há milhares de mortes que não puderam desfrutar sua vida na Venezuela", declarou Jesus Medina ao repórter da CNN.

A vida dos jornalistas na Venezuela é comparada a uma guerra pelo repórter Renan Fiuza, que esteve no país em 2020. "Estes jornalistas viviam com medo, medo simplesmente porque tinham os telefones grampeados, eram monitorados pelo serviço de segurança e eram presos", explicou Fiuza.

Jesus Medina foi preso após denunciar abusos cometidos em um presídio venezuelano. Depois de solto, o repórter cinematográfico passou a viver em diferentes lugares para tentar escapar da vigilância do governo. Atualmente, Medina vive na Colômbia, pois teme por sua vida caso retorne à Venezuela.

Em conversa recente com Renan Fiuza, após as eleições venezuelanas, Jesus Medina expressou esperança, mas também incerteza sobre o futuro. "Estou feliz, estou aliviado. Fomos às ruas aqui na Colômbia, em Bogotá, onde estou vivendo, comemorar ao lado de venezuelanos, mas preciso saber o que vai acontecer. Meu desejo não é morar na Colômbia, meu desejo é morar na Venezuela, quero voltar para o meu país", afirmou.

Fiuza destaca que os canais de televisão da Venezuela transmitem apenas conteúdo estatal, maquiando a realidade e silenciando vozes críticas. Pelo menos 40 veículos de imprensa, incluindo internet, televisão e rádio, foram fechados em 2019, deixando redações vazias e profissionais sem trabalho ou exilados.

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade