Por Cleber Lourenço
O PL Antifacção caminha para sua quinta versão em pouco mais de uma semana — um ritmo que, mesmo para os padrões da Câmara, evidencia o proporção de desorganização que tomou conta da tramitação.
O deputado Guilherme Derrite pretende apresentar o novo texto nesta terça-feira, às 14h30, durante a reunião de líderes. A versão será entregue poucas horas antes da votação em plenário, aprofundando as críticas sobre a transporte atabalhoada do processo.
O projeto, tratado porquê prioridade pela presidência da Lar, virou um verdadeiro laboratório improvisado. Cada relatório surge para emendar distorções criadas nos anteriores, ao mesmo tempo em que tenta acomodar pressões simultâneas: demandas do governo, reivindicações das polícias estaduais, resistências da Polícia Federalista, além do soído uniforme entre bancadas. O resultado é um texto que muda sem parar e que ainda não encontrou estrutura sólida.
Nos bastidores, parlamentares admitem que ninguém sabe exatamente qual será o teor final a ser votado amanhã. A prática de apresentar um relatório definitivo horas antes de uma deliberação sobre um tema dessa relevância é vista porquê temerária. A pressa impede estudo técnica adequada, dificulta o escrutínio sobre impactos financeiros e jurídicos e reduz o debate a um rito de urgência forçada.
PL Antifacção entre idas e vindas
A instabilidade também expõe o desgaste na transporte política de Hugo Motta, que centralizou a tramitação, mas não conseguiu costurar consenso. No início da noite desta segunda-feira, o presidente da Câmara se reuniu com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, numa tentativa de alinhar o texto com o governo e prometer esteio mínimo para a votação. Mesmo assim, interlocutores admitem que ainda há muita resistência dentro da base governista.
A sucessão de versões transformou o PL Antifacção em um símbolo de improviso legislativo, deixando a própria votação desta semana em incerteza. Enquanto governo e parlamentares aguardam a próxima versão — a quinta em um pausa limitado e turbulento — o clima é de absoluta incerteza.
O processo, que deveria fortalecer o enfrentamento ao transgressão organizado, virou exemplo de porquê um projeto pode se perder no caminho quando atropelado pela falta de coordenação política e técnica.