As ações de petroleiras brasileiras fecharam em queda na B3 na segunda-feira (5), mesmo em um dia de alta para os preços internacionais do petróleo. O movimento ocorreu após a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela no fim de semana, que reacendeu expectativas de mudanças profundas no setor energético do país sul-americano, dono das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
O recuo dos papéis no Brasil contrastou com o desempenho positivo de grandes companhias norte-americanas do setor, que avançaram diante da perspectiva de maior protagonismo nas operações e na recuperação da infraestrutura petrolífera venezuelana. Para o mercado, esse redesenho do mapa energético regional pode reduzir a atratividade relativa das produtoras brasileiras no médio e longo prazo.
Mesmo com o Ibovespa em alta de 0,82%, as ações da Petrobras recuaram cerca de 1,7%, movimento que representou perda aproximada de R$ 6,8 bilhões em valor de mercado. Outras companhias do setor também fecharam no vermelho, com destaque para a Brava Energia, que registrou a maior queda do dia. A exceção ficou por conta de uma produtora focada na revitalização de campos maduros em terra, que encerrou o pregão em leve alta.
Na avaliação de analistas e investidores, o principal fator por trás do descolamento entre o mercado brasileiro e as cotações internacionais do petróleo é a percepção de que a concorrência na América Latina tende a aumentar. A eventual entrada mais robusta de empresas estadunidenses na Venezuela, aliada a um possível processo de normalização da produção no país, reforça a expectativa de maior oferta global da commodity.
Embora o petróleo Brent tenha subido 1,66% no dia, para US$ 61,76 por barril, parte do mercado já precifica um cenário de pressão sobre os preços no horizonte. A produção venezuelana, hoje estimada em cerca de 800 mil barris por dia, já foi superior a 3,5 milhões de barris diários no fim dos anos 1990, o que alimenta projeções de crescimento gradual caso haja retomada de investimentos estrangeiros.
Nos Estados Unidos, ações de grandes petrolíferas subiram com força, refletindo a leitura de que companhias do país podem se beneficiar diretamente de uma reconfiguração política e econômica na Venezuela, ainda que sanções ao petróleo venezuelano permaneçam em vigor no curto prazo.
O cenário despertou cautela entre operadores ao projetar os resultados financeiros das petroleiras brasileiras. A combinação entre preços potencialmente mais baixos do petróleo e a possibilidade de redirecionamento de investimentos para o país vizinho levanta dúvidas sobre margens, dividendos e planos de expansão das companhias.
No caso da Petrobras, a preocupação adicional é que uma mudança estrutural no mercado regional force revisões no plano de investimentos da estatal. O tema deve entrar na pauta das próximas reuniões do conselho de administração, segundo fontes ouvidas pelo mercado.
Ainda assim, parte dos analistas avalia que os efeitos no curto prazo tendem a ser limitados, uma vez que boa parte desses riscos já estaria precificada nas ações. Para esses especialistas, eventuais impactos mais profundos dependerão da velocidade de recuperação da produção venezuelana e de decisões políticas dos Estados Unidos em relação às sanções e ao fluxo de investimentos no setor.
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