Publicidade
Capa / Brasil

Pedidos para Khamenei renunciar, repressão e mortes: entenda a crise no Irã, que vive maio

Protestos no Irã já são considerados os maiores dos últimos anos contra o regime do país

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 00:21 · Atualizado há 2 dias
Pedidos para Khamenei renunciar, repressão e mortes: entenda a crise no Irã, que vive maio
Foto: Reprodução / Arquivo

Protestos no Irã já são considerados os maiores dos últimos anos contra o regime do país

Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei no Irã, nos últimos dias de 2025, o movimento tem se expandindo tanto em escala quanto em violência — tornando-se a mais nova crise do governo de Teerã e envolvendo até os EUA.

diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos

— Khamenei disse na sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar e “sabotadores”.

Os protestos eclodiram no final de dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica —a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro— no entanto, com o passar dos dias e com a repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei.

As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.

Até o momento, os protestos já deixaram mais de 60 mortos, incluindo membros das forças de segurança, segundo contagens de organizações de direitos humanos atuando no Irã. O número real de vítimas pode ser ainda maior porque há limitações na quantidade de informações que sai do país.

o país caso isso aconteça. Nesta sexta, o líder iraniano chamou o presidente dos EUA de

— Os protestos também geraram uma nova escalada nas já comprometidas tensões entre os EUA e o Irã. Trump disse que não tolerará mortes de manifestantes pelo regime Khamenei e disse que "atingirá muito duramentearrogante" e disse que suas mãos “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios feitos contra instalações nucleares em 2025.

Na quinta-feira, os protestos ganharam uma nova proporção após Khamenei ter ordenado um apagão da internet e da rede telefônica para tentar conter os manifestantes (leia mais abaixo). A quarta-feira foi considerada o "dia mais sangrento" dos protestos até o momento, em que foram registradas as mortes de 13 manifestantes.

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana via Reuters

O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. A medida foi adotada em 2018, quando o presidente Donald Trump deixou um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano costurado por seu antecessor, Barack Obama.

Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, acima de 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.

Na segunda-feira (5), o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, levando a uma rápida desvalorização.

Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.

O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma "república teocrática" — na prática, um regime ditatorial em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder desde 1989.

O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.

Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país — Foto: Fars via AP

O Irã intensificou a repressão contra manifestantes contrários ao regime nesta quinta-feira (8), no momento em que a onda de protestos chega ao 12º dia no país.

Também nesta quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a situação do país asiático.

Imagens publicadas na rede social X mostram grandes manifestações nas ruas (veja abaixo).

é a batalha final, Pahlavi voltará

— De acordo com vídeos, cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como , em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou "Seyyed Ali será destituído", em referência ao líder supremo Ali Khamenei.

atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional

— O Irã está , afirmou a ONG de vigilância de segurança cibernética Netblocks, com base em dados em tempo real.

Ainda não se sabe o número de mortos nos protestos. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram nos atos.

A quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento da crise, com 13 mortos, de acordo com esta organização, que também indicou que "centenas" de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas.

As manifestações são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte da jovem Mahsa Amini, em 2022 presa por violar as rígidas normas de vestuário para mulheres.

De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.

Vereador procurado para atacar o BC diz que empresa apontou Vorcaro como contratante

Vorcaro diz ao STF que não participou de ataques ao BC e pede investigação

Entenda o que acontece com o ‘devedor contumaz’ com nova lei

'Avanço relevante': entidades do agro celebram aprovação de acordo com UE

União Europeia confirma aprovação; acordo será assinado em 17 de janeiro

1º ciclone extratropical do ano leva chuvas fortes ao estados do sul

Renovação automática de CNH para bons motoristas começa a valer hoje; veja como funciona

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade