Por Flávio VM Costa e Alice Maciel
(Reportagem publicada originalmente às 11h57)
Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federalista, viajou em um jatinho associado a Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Culpado pela Polícia Federalista e pelo Ministério Público de São Paulo de comandar um esquema de lavagem de numerário que beneficia o PCC, Beto Louco está homiziado da Justiça desde agosto, quando foi deflagrada a Operação Carbono Oculto.
O ministro do STF viajou duas vezes no mesmo dia no jato de prefixo PR-SMG, de conciliação com relato do piloto Mauro Caputti Mattosinho ao ICL Notícias. A aeroplano é operada pela TAP (Táxi Airado Piracicaba).
Às 12h40 de 22 de setembro de 2024, um domingo, o ministro do STF embarcou em Brasília tendo uma vez que rumo a cidade paulista de Ourinhos. Ao desembarcar, Dias Toffoli entrou em um helicóptero que o levou para o resort de luxo Tayayá, localizado na cidade paranaense de Ribeiro Simples e que já teve oficialmente entre os sócios ao parentes do ministro. Perto das 18h, o ministro Dias Toffoli já estava de volta a Ourinhos e foi levado no mesmo jato até São Paulo.
A reportagem teve entrada ao quotidiano de bordo dos dois voos e as conversas de Mattosinho com funcionários da TAP sobre as viagens.

“Ele me disse que iria participar de um coquetel. E até me convidou para ir com ele”, afirma o piloto Mauro Caputti Mattosinho, ex-funcionário da TAP. Ele foi um dos dois pilotos que operaram o jato naquele dia. Em entrevista ao ICL Notícias, Mattosinho afirma que só descobriu que levaria um membro da mais subida incisão do país no momento em que Toffoli apareceu para embarcar.
De conciliação com Mattosinho, o jato PR-SMG era incessantemente usado por Beto Louco e seu sócio, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. A dupla é apontada uma vez que líderes de um esquema bilionário que incluía fraudes fiscais e contábeis, adulteração de combustíveis e lavagem de numerário do PCC. Primo também está homiziado da Justiça.
Uma série de reportagens do ICL Notícias revelou, a partir de uma entrevista exclusiva com o piloto, a relação entre a empresa de taxi leviano, políticos do Centrão e suspeitos de integrarem o PCC.
Procurado por meio da assessoria do STF, o ministro Dias Toffoli não respondeu às perguntas da reportagem. O resort Tayayá e a TAP também não responderam quem pagou pela viagem do ministro e se ele já utilizou a aeroplano em outras oportunidades.

Beto Louco e o jato PR-SMG
Durante o período em que trabalhou na TAP, Mattosinho era um dos pilotos do jato executivo PR-SMG. Foi nessa aeroplano que uma sacola de papel contendo numerário vivo foi transportada em um voo de São Paulo para Brasília, no dia 6 de agosto de 2024, conforme o relato do piloto revelado pela reportagem do ICL Notícias.
Ainda de conciliação com o piloto, Beto Louco estava presente no voo e mencionou várias vezes durante o trajeto o nome do senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do PP. O empresário levou a sacola depois do pouso em Brasília para um suposto encontro com o político. Ciro Nogueira negou que tenha relações com Beto Louco ou Primo e que tenha recebido propina.
Mattosinho prestou prova à Polícia Federalista. O piloto declarou também que o legista Antonio Rueda, presidente pátrio do União Brasil, era sócio oculto do possessor da TAP, Epaminondas Madeira, em pelo menos quatro aeronaves operadas pela empresa.
Documentos do RAB (Registro Aeronáutico Brasílio) indicam que o jato PR´-SMG fabricado pela Israel Aircraft passou por diversos proprietários no Brasil desde o ano de 2018.
Até que no dia 18 de dezembro de 2023, a SP-CTA Táxi Airado Ltda vendeu a aeroplano para a empresa Aviação Subida Airline Transportes, pelo valor de quase R$ 29 milhões.
A Aviação Subida tem uma vez que donos Epaminondas Chenu Madeira, gestor da TAP, e o Capri Fundo de Investimentos que, por sua vez, é dirigido pela pela Ruby Capital Gestão e Gestão de Recursos de Terceiros Ltda. O CNPJ da Ruby é o mesmo do fundo Altinvest Asset, mira da Operação Carbono Oculto por suspeita de lavar numerário para o PCC.

Mattosinho afirma que o nome da Ruby foi citado por Epaminondas Madeira e por um legista da TAP, durante um diálogo que mantiveram quando o piloto apresentou sua exoneração.
De conciliação com o piloto, o legista de Epaminondas afirmou que o “Ruby estava inviolado”, querendo expressar que o fundo não tinha sido identificado pelas operações da PF e do MPSP, o que revelou não ser verdade já que a Altinvest foi mira da Operação Carbono Oculto.
Por meio de nota, quando foi questionada pelo ICL Notícias, a Altinvest destacou que “repudia veementemente qualquer tentativa de associação de seu nome ou de seus gestores à atividades ilícitas”. A empresa ressaltou que não administra nenhum fundo que “possui relação com aeronaves”; que o fundo Capri não está sob sua governo; e que atua em conformidade com a legislação brasileira e com as normas da Percentagem de Valores Mobiliários (CVM) e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).
Voo com diretor do Banco Master
Outra notícia envolvendo voos do ministro Dias Toffoli em jatos particulares foi publicada no último domingo pela poste de Lauro Jardim, no jornal “O Mundo.
Relator do caso do Banco Master no STF, o ministro foi observar à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru, posteriormente ter embarcado no mesmo voo privado que um legista que defende um dos diretores da instituição liquidada pelo Banco Médio no Supremo..
Toffoli viajou num jatinho do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore, no qual estavam também o legista Augusto Arruda Botelho, que atua no processo do Banco Master defendendo o diretor de compliance do Banco, Luiz Antônio Bull, e o ex-deputado Aldo Rebello