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Pavanato e Holiday firmaram contratos cruzados com verba da Câmara de SP

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 25/06/2025 às 22:01 · Atualizado há 1 semana
Pavanato e Holiday firmaram contratos cruzados com verba da Câmara de SP
Foto: Reprodução / Arquivo

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Por Cleber Lourenço e Diego Feijó

O vereador Lucas Pavanato (PL), eleito com a maior votação da capital de São Paulo em 2024, contratou com verba pública a microempresa de Fernando Holiday (PL) para prestação de serviços de consultoria política e legislativa.

Desde janeiro de 2025, o gabinete de Pavanato tem repassado mensalmente R$ 20 mil à empresa registrada em nome de seu padrinho político e ex-chefe, totalizando R$ 100 mil até maio, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência da Câmara Municipal de São Paulo.

As notas fiscais obtidas pela reportagem revelam que os pagamentos foram feitos à F H S Bispo Consultoria, empresa individual de Fernando Holiday. Os lançamentos aparecem como despesas classificadas como “contratação de pessoa jurídica” e não detalham entregáveis específicos.

Holiday deixou a Câmara em 2024 após dois mandatos e, desde então, tem se dedicado à faculdade de Medicina e à atuação como consultor político, voltado principalmente a parlamentares conservadores e novatos.

Fernando Holiday. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A relação entre Pavanato e Holiday é antiga e marcada por vínculos hierárquicos e políticos. Pavanato iniciou sua trajetória no gabinete de Holiday em 2018 como estagiário. Foi promovido a assessor, e, posteriormente, chegou ao posto de chefe de gabinete.

Após sua exoneração em abril de 2023, abriu uma microempresa e passou a prestar serviços ao próprio Holiday. Entre agosto de 2023 e abril de 2024, a empresa de Pavanato recebeu R$ 127 mil da Câmara por contratos vinculados ao mandato do ex-vereador.

Ou seja, enquanto um ainda ocupava cargo eletivo, contratou o outro como consultor com verba pública. Após a eleição, os papéis se inverteram: já como vereador, Pavanato passou a contratar seu ex-chefe e padrinho político. Os dois contratos foram financiados com dinheiro público e registrados de forma oficial. Embora ambos neguem irregularidades, a prática sugere troca de favores com uso da estrutura pública da Câmara.

Os documentos consultados mostram que todas as notas fiscais emitidas pelas duas empresas contêm descrições genéricas. Nos registros de Holiday, por exemplo, constam como justificativas “consultoria”, “reuniões com equipe”, “orientações legislativas” e “pesquisas de opinião”. Nenhum relatório técnico ou estudo foi anexado às notas, dificultando a comprovação efetiva da prestação do serviço. Já nos documentos de Pavanato, os pagamentos são descritos como consultoria de marketing político e acompanhamento de redes sociais.

A atuação de Holiday como consultor também se estende para fora do parlamento. Ele coordena um curso gratuito de formação política voltado a jovens conservadores, chamado União Conservadora. O projeto oferece aulas com professores universitários e oficinas sobre técnica legislativa e oratória. Segundo aliados próximos, essa atividade faz parte da estratégia de Holiday para fortalecer sua base política com vistas às eleições de 2026, quando deve disputar uma cadeira de deputado federal por São Paulo.

Caso Pavanato e Holiday

O caso escancara o uso de verbas públicas em uma engrenagem informal de assessoria política entre aliados. O histórico de cargos comissionados, a troca de posições entre contratante e contratado, os pagamentos mensais sem detalhamento técnico e a concentração de recursos entre ex-assessores e parlamentares de mesmo espectro ideológico levantam questionamentos sobre a lisura e a finalidade real dos contratos.

Até o momento, não há investigações formais sobre os repasses. No entanto, juristas consultados pela reportagem apontam que a configuração pode ser enquadrada como “simulação de prestação de serviço” ou até “enriquecimento ilícito”, a depender da comprovação ou não das atividades alegadas nos documentos fiscais. Caso o Ministério Público ou o Tribunal de Contas decida investigar, os contratos cruzados devem ser objeto de atenção prioritária.

A Câmara de São Paulo ainda não se manifestou oficialmente sobre os contratos entre Pavanato e Holiday. Questionada, a assessoria da Casa afirmou apenas que todos os gastos com verba de gabinete seguem os critérios legais estabelecidos pela legislação interna.

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