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'Para valorizar a herança africana, o Estado precisa parar de nos matar', diz MNU

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 03/11/2024 às 17:59 · Atualizado há 29 minutos
'Para valorizar a herança africana, o Estado precisa parar de nos matar', diz MNU
Foto: Reprodução / Arquivo

Por Pedro Stropasolas — Brasil de Fato

O tema da redação do Enem 2024, realizado neste domingo (3), foi “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”. A informação foi divulgada pelo ministro da Educação, Camilo Santana (PT), na rede social X, logo após o início da prova neste domingo (3).

Os mais de 4,3 milhões de inscritos no Enem deviam elaborar um texto dissertativo de até 30 linhas e uma proposta de intervenção sobre o tema. A prova começou às 13h30 e vai até às 19h.

Além da redação, os candidatos fazem na tarde de hoje 90 questões de linguagens e códigos e de ciências humanas, que inclui as disciplinas de língua portuguesa, história e geografia. A redação, no entanto, é a nota de maior peso no Enem. Na edição passada, o tema foi: “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.

Ativista do MNU considera tema excelente

Coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado e codeputada estadual pela Bancada Feminista do PSOL na Alesp, Simone Nascimento considera o tema excelente, especialmente no ano em que o 20 de novembro se torna feriado nacional e passa a ser chamado Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

Nascimento considera também que, para valorizar essa herança, segue sendo urgente também a implementação da Lei 10.639/03, tornando obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira.

A deputada estadual pelo PSOL e ativista do Movimento Negro Unificado Simone Nascimento (Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

“Lélia Gonzalez costumava dizer que o Brasil foi africanizado, afinal a população negra é 56% do total e nossa herança está no idioma, na cultura, religiosidade, nós construímos absolutamente tudo, com nosso suor e trabalho”, analisa.

E completa: “Para valorizar, o Estado brasileiro também precisa parar de nos matar. É inaceitável o genocídio da população negra em curso no Brasil, as polícias têm matado e encarcerado cada vez mais pessoas negras. É urgente o Estado brasileiro escrever e por em prática essa redação em toda a federação: valorizar essa herança através da reparação histórica, buscando a igualdade racial, com direito pleno a trabalho, moradia, saúde, educação e soberania alimentar”.

Legados da história negra

Para a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT), a prova “fala sobre reflexão profunda sobre nossa vasta herança africana”.

“Durante meus anos como professora, lembro o quanto eu frisava em sala de aula a importância da memória e história negra para as gerações construirão este país.  Parabéns à equipe do Enem por oportunizar este debate que faz o Brasil avançar”, afirmou, em sua conta na rede social X (ex-Twitter).

A ministra destacou a importância da “implantação e capilarização” da Lei10.639/03. “É necessário investir ainda mais em uma educação antirracista, promover espaços de memória que honrem os legados afro-brasileiros e combata estereótipos, fomentando um país mais justo, onde todos tenham seu lugar reconhecido e respeitado”, defendeu. “Honrar nossa herança é afirmar nossa história, nossa pluralidade e o compromisso com um futuro digno para todas as brasileira e brasileiros.”

SAIBA MAIS:

Primeiro dia de provas para mais de 4,3 milhões de inscritos no Enem 2024 é hoje

 

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