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Duas semanas atrás, uma intoxicação alimentar me levou ao hospital com sinais severos de desidratação. Como se não bastasse, logo em seguida, uma gripe me atingiu em cheio. O cansaço era extremo. Me arrastava pela manhã tentando comer algo leve, sem apetite e com a sensação constante de desequilíbrio. A tontura não dava trégua, e por alguns dias, tudo parecia suspenso, como se meu corpo tivesse desligado.
Nesse período, recebi um convite para uma festa temática dos anos 70. Mesmo sem forças, senti que precisava estar ali. Reuni a pouca energia que tinha, escolhi uma roupa no estilo hippie e fui decidida a marcar presença por alguns minutos e sair em silêncio. Mas, ao chegar, algo inesperado aconteceu. O som vibrava no ambiente, e as pessoas dançavam com entusiasmo. Quando começaram a tocar “Aquarius”, uma memória corporal antiga se ativou. Fui conduzida pelos meus pés, sem pensar. Atravessei a pista e me deixei levar pela música. Em poucos minutos, já estava dançando, rindo, vivendo. E foi ali, naquele instante, que percebi: eu estava melhor. Minha cabeça clareou, o corpo respondeu, a vitalidade voltou. Algo em mim havia despertado novamente. A experiência me trouxe um entendimento profundo: o prazer tem poder curativo.
Às vezes, buscamos soluções apenas no que é prescrito, mas ignoramos aquilo que nos conecta com a vida, com o que nos faz sentir inteiros(as). Os medicamentos, por si só, não foram suficientes. Mas um gesto espontâneo de reconexão com algo que me dava prazer foi capaz de restaurar o que estava adormecido.
Talvez você também tenha abandonado pequenas alegrias que antes faziam parte da sua rotina. Você se lembra do que te fazia bem? Nadar? jogar bola? Pular corda? Cantar sem se preocupar com quem está ouvindo? Ver o pôr do sol? Correr na chuva de verão? Dançar de olhos fechados no meio da sala?
Quando deixamos de lado esses momentos, algo em nós adoece em silêncio. Mas, ao retomá-los, mesmo que por instantes, abrimos espaço para o corpo liberar endorfinas, para a mente relaxar, e para a alma se sentir viva novamente.
Se permita viver essas pequenas doses de prazer autêntico, sem julgamento, sem racionalização. Não pense demais. Apenas sinta. Seu corpo e sua mente agradecem.
Às vezes, o que você precisa para se curar é tão simples quanto dançar.
Grande abraço!