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O ‘ataque coordenado’ do brócolis contra o câncer de mama, segundo estudo com mais de 160

Estudo de longo prazo ligado à Universidade Harvard, com mais de 160 mil mulheres acompanhadas por décadas, associa o consumo regular de vegetais crucíferos ...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 06/01/2026 às 04:11 · Atualizado há 1 dia
O ‘ataque coordenado’ do brócolis contra o câncer de mama, segundo estudo com mais de 160
Foto: Reprodução / Arquivo

Estudo de longo prazo ligado à Universidade Harvard, com mais de 160 mil mulheres acompanhadas por décadas, associa o consumo regular de vegetais crucíferos à redução do risco de câncer de mama.

O efeito foi mais evidente em tumores hormônio-negativos, um subtipo geralmente mais agressivo e com menos opções de tratamento.

Brócolis, couve-flor, repolho e similares atuam por um “ataque coordenado”, interferindo em várias etapas do processo que leva uma célula normal a se tornar cancerígena.

Os compostos desses vegetais ajudam a neutralizar carcinógenos, religar genes de proteção e estimular a morte de células doentes, além de reduzir inflamação crônica.

O benefício depende de consumo regular e prolongado, como parte de um padrão alimentar saudável —não é efeito imediato nem substitui outros cuidados com a saúde.

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Comer brócolis não é vacina contra o câncer. Mas, ao longo dos anos, uma alimentação rica em vegetais crucíferos pode ajudar a reduzir o risco de câncer de mama, especialmente de um subtipo mais agressivo da doença.

É o que indica um conjunto de estudos epidemiológicos de grande porte apresentados recentemente por pesquisadores ligados à Universidade de Harvard, durante o principal congresso mundial sobre câncer de mama, realizado em San Antonio, nos Estados Unidos.

As análises acompanharam mais de 160 mil mulheres por até três décadas, com métodos estatísticos rigorosos, e encontraram uma associação consistente entre o consumo desses vegetais e a redução do risco de tumores de mama hormônio-negativos —aqueles que não dependem de estrogênio ou progesterona para crescer.

Não é uma observação frágil ou baseada em poucos pacientes. São estudos grandes, longos, com estratificação por tipo de câncer, frequência de consumo e controle de vieses. Isso dá muito mais segurança para a interpretação dos dados

— explica o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation.

Os vegetais crucíferos formam um grupo da família das Brassicáceas, caracterizado por flores em formato de cruz —daí o nome. Entre os mais conhecidos estão:

Além de fibras, vitaminas e minerais, esses vegetais concentram compostos bioativos ricos em enxofre, como glucosinolatos, que dão origem a substâncias estudadas há décadas por seus potenciais efeitos anticâncer.

Quando pesquisadores dizem que os vegetais crucíferos atuam por meio de um “ataque coordenado” contra o câncer, não é força de expressão. Os compostos presentes em alimentos como brócolis, couve e repolho interferem em várias etapas do processo que transforma uma célula normal em cancerígena —desde o primeiro contato com substâncias tóxicas até a morte de células já alteradas.

O mais impressionante é que não existe um único mecanismo responsável pelo efeito protetor. São várias vias biológicas sendo moduladas ao mesmo tempo

— explica o oncologista Stephen Stefani.

1. Limpeza preventiva: expulsar substâncias perigosas antes do dano

Substâncias presentes nos crucíferos, como o sulforafano, ativam um sistema de defesa do organismo responsável por neutralizar toxinas que entram no corpo pela alimentação, poluição ou cigarro. Essas toxinas, chamadas de carcinógenos, podem causar mutações no DNA.

O primeiro movimento acontece antes mesmo de qualquer célula se tornar cancerígena.

O que esses compostos fazem é acelerar a detoxificação. Eles transformam essas substâncias perigosas em algo mais fácil de ser eliminado pelo organismo

— diz Stefani.

Na prática, é como se o corpo identificasse o risco e colocasse o lixo para fora antes que ele cause estrago.

2. Menos ‘ativação do mal’: bloqueio da transformação em carcinógeno

Algumas substâncias presentes no ambiente ou na alimentação não são cancerígenas por si só. Elas só se tornam perigosas depois de passarem por reações químicas dentro do organismo, mediadas por enzimas que fazem parte do metabolismo normal do corpo.

O problema é que, nesse processo, compostos inicialmente inofensivos podem ser transformados em carcinógenos ativos, capazes de danificar o DNA das células.

Os compostos presentes nos vegetais crucíferos ajudam a reduzir essa conversão.

É como retirar parte do combustível que alimentaria o processo inicial de formação do câncer.

3. Epigenética: religar os freios que o câncer tenta desligar

Aqui entra uma das partes mais sofisticadas —e menos conhecidas— desse ataque.

Células cancerígenas costumam desligar genes de proteção, chamados de genes supressores tumorais. Esses genes funcionam como freios naturais do crescimento celular.

Os compostos dos crucíferos ajudam a religar esses freios por meio de um processo chamado modulação epigenética.

4. Quando não há conserto: indução da morte da célula doente

Se a célula já sofreu alterações importantes e não consegue se corrigir, entra em ação outra frente: a apoptose, ou morte celular programada.

Os compostos dos crucíferos aumentam a atividade de proteínas que funcionam como sensores de dano.

Esse mecanismo impede que células defeituosas continuem se multiplicando —um passo essencial para evitar a formação de tumores.

5. Menos inflamação, menos ‘terreno fértil’ para o câncer crescer

Os crucíferos também reduzem a inflamação crônica, um estado que favorece o surgimento e a progressão do câncer. Além disso, diminuem sinais que estimulam a formação de novos vasos sanguíneos —estruturas que alimentariam um tumor em crescimento.

Nos dados apresentados no congresso, o efeito protetor foi mais evidente entre mulheres que desenvolveriam tumores de mama hormônio-negativos —um subtipo que, em geral, responde menos às terapias hormonais e tende a ter manejo mais complexo.

Esse é um ponto importante porque mostra que não estamos falando apenas de uma hipótese biológica bonita no papel. Existe amparo epidemiológico, com diferença estatística clara

— afirma Stefani.

Os pesquisadores analisaram o padrão de consumo ao longo dos anos, comparando mulheres que ingeriam vegetais crucíferos de forma diária, semanal ou apenas esporádica.

O benefício apareceu em todos os grupos, mas foi mais consistente entre aquelas que mantinham o consumo diário.

Não é algo pontual, do tipo ‘comeu hoje, está protegido amanhã’. É um efeito cumulativo, que se constrói ao longo da vida. Precisa virar hábito

— explica o oncologista.

O especialista reforça que nenhum alimento, isoladamente, neutraliza outros fatores de risco conhecidos para o câncer.

Não existe compensação do tipo ‘eu fumo, mas como bem’, ou ‘não sou sedentário, então posso comer mal’. Os riscos se somam, e os fatores protetores também

— diz o oncologista.

Além do possível efeito protetor contra o câncer de mama, os vegetais crucíferos trazem outros benefícios já bem estabelecidos:

Estimular esse tipo de alimentação não cria neurose alimentar. É uma escolha simples, acessível e com potencial real de benefício para a saúde como um todo

— conclui o médico.

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