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Nível do rio Negro atinge 13,49 metros, o menor da história

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 17/10/2023 às 23:36 · Atualizado há 1 dia
Nível do rio Negro atinge 13,49 metros, o menor da história
Foto: Reprodução / Arquivo
A quota do rio Preto, localizado na região Setentrião do país, chegou nesta 3ª feira (17.out.2023) a 13,49 metros –a menor desde 1902, quando começaram as medições. O Amazonas enfrenta uma seca histórica.
As informações são do Porto de Manaus, que realiza as medições no rio, e a previsão é que as águas continuem baixando até o início de novembro, quando termina o período de estiagem. Na 2ª feira (16.out), a quota do rio estava em 13,59 metros. O maior volume foi registrado em 2021, quando o nível do rio atingiu a marca de 30,02 metros. A seca fez com que o governador do Amazonas Wilson Lima (União Brasil), decretasse, em setembro, situação de emergência em 55 dos 62 municípios. Atualmente, 58 municípios do Amazonas em Estado de calamidade ou de emergência. Na 2ª feira (16.out), o governador se encontrou com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, para debater a parceria entre os governos federalista, estaduais e municipais para substanciar a atenção da saúde à população. Na ocasião, a ministra anunciou o repasse de mais de R$ 233 milhões aos 62 municípios do Amazonas. Foram duas portarias, uma no valor de R$ 225 milhões, que engloba a recomposição do chamado Teto MAC (média e subida complexidades) em 59 municípios. A 2ª portaria, no valor de R$ 8,9 milhões, é voltada à atenção primária nas cidades de Lábrea, Tabatinga e São Gabriel da Catadupa, com unidades de saúde geridas pelo Estado. Dos R$ 225 milhões para média e subida complicação, R$ 102,3 milhões serão liberados em parcela única aos municípios. Outros R$ 122,7 milhões serão incorporados ao teto de média e subida complicação do Amazonas. Segundo o governo amazonense, desse repasse, R$ 100 milhões serão destinados a 61 municípios e outros R$ 12 milhões vão para Manaus, para serem usados para auxílio emergencial nos abastecimentos das unidades de saúde municipais com medicamentos, EPIs (equipamentos de proteção individual) e insumos hospitalares. A subdivisão tomou uma vez que base os coeficientes de rateio do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

QUEDA NO VOLUME DE ÁGUAS

Em setembro, segundo a rede colaborativa de universidades, ONGs (organizações não governamentais) e empresa de tecnologia, MapBiomas, o Amazonas registrou, em nota técnica, a menor extensão coberta por chuva no Estado desde 2018. Os dados foram obtidos a partir de imagens de satélites dos sistemas LandSat e Sentinel e mostram uma superfície de chuva de 3,56 milhões de hectares, uma redução de 1,39 milhão de hectares em relação aos 4,95 milhões de hectares registrados em setembro de 2022 –que foi um patamar supra da média histórica acompanhada pelo MapBiomas, com início em 1985. “A redução de chuva foi detectada em rios, lagos e em áreas de úmidas, atingindo 25 municípios com perda de mais de 10.000 hectares de superfícies de chuva, sendo que os 5 primeiros do ranking perderam mais de 40.000 hectares”, diz nota da rede. Os pesquisadores também mapearam alguns pontos afetados de forma aguda pela redução da superfície de chuva. Além da seca no lago Tefé, que culminou na morte de mais de 140 botos, segundo o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. As imagens de satélite mostraram que lagos inteiros secaram em áreas de várzea na Resex (Suplente Extrativista) Auatí-Paraná. Situada no Médio-Solimões, a suplente abrange os territórios dos municípios de Natividade Boa, Japurá e Maraã. O mesmo se deu com a seca no lago de Coari, afetando o aproximação a vitualhas, medicamentos e o calendário escolar. Entre Tefé e Alvarães, a seca forma bancos de areia extensos. “A seca severa na Amazônia em 2023 tem sido atribuída a uma combinação do fenômeno El Niño com o aquecimento do Atlântico Setentrião, levando a uma intensa estiagem que pode continuar até janeiro de 2024. O Estado do Amazonas é um dos mais atingidos. No mês de setembro de 2023, aproximadamente 20 estações da rede hidrológica amazônica registaram condições de seca, com metade localizadas no Amazonas”, diz a nota técnica do MapBiomas.

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