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Mulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 são as que mais morrem por aborto no Bras

Mulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 anos são as que mais morrem por aborto no Brasil, diz Unicamp.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2026 às 05:21 · Atualizado há 1 dia
Mulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 são as que mais morrem por aborto no Bras
Foto: Reprodução / Arquivo

Mulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 anos são as que mais morrem por aborto no Brasil, diz Unicamp.

Estudo utilizou dados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação de Mortalidade Materna e do Sistema de Informação de Nascidos Vivos, entre 2012 e 2022.

No período analisado, foram registrados 19.535 casos de morte materna, dos quais 663 estavam relacionados ao aborto.

Mulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 são as que mais morrem por aborto no BR

Um artigo da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, publicado na revista inglesa Woman&Health, revelou que as mulheres que mais morrem em decorrência de aborto no Brasil são pretas, pardas, indígenas, com mais de 40 anos e residentes na região Norte.

O artigo utilizou dados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação de Mortalidade Materna e do Sistema de Informação de Nascidos Vivos, entre 2012 e 2022. No período analisado, foram registrados 19.535 casos de morte materna, dos quais 663 estavam relacionados ao aborto.

Embora represente somente 3,39% das mortes maternas, o estudo destaca que essas ocorrências são evitáveis e configuram um problema crítico de saúde pública.

O estudo calculou a Razão de Mortalidade Materna (RMM) e encontrou diferenças significativas por idade e raça. Mulheres entre 40 e 49 anos registraram 5,95 mortes por 100 mil nascidos vivos, taxa três vezes maior que a do grupo de referência, de 20 a 29 anos.

🔎 A RMM indica quantas mulheres morrem, a cada 100 mil bebês nascidos vivos, por causas relacionadas à gravidez, parto ou pós-parto (até 42 dias depois). Esse indicador mostra a qualidade da assistência à saúde da mulher: quanto maior for a taxa, pior é o atendimento oferecido.

Do ponto de vista etário, o que a gente vai ver é que são mulheres que têm uma condição prévia de saúde. Então, aquela mulher que pode já ter diabete, hipertensão ou alguma outra doença

— detalha Guida.

Entre mulheres pretas, pardas e indígenas, a mortalidade está ligada ao acesso precário aos serviços de saúde. Mulheres indígenas apresentaram RMM de 6,32 por 100 mil, enquanto mulheres pretas registraram 3,99. Metade das mortes ocorreu entre mulheres pardas.

Guida afirma não haver explicação biológica para esse cenário, somente fatores sociais ligados à dificuldade de acesso. Na região Norte, por exemplo, gestantes enfrentam falta de serviços de saúde e grandes distâncias, com deslocamentos que podem levar até 18 horas.

O professor defende que a legislação atual provoca medo: mulheres chegam tarde aos hospitais por receio de buscar ajuda, e profissionais temem prestar assistência e serem acusados.

Hoje, como regra geral, o aborto no Brasil é permitido em três casos:

Nos três casos, o aborto pode ser realizado a qualquer momento. Fora deles, o aborto é considerado crime:

Mulheres pretas, pardas, indígenas e acima de 40 são as que mais morrem por aborto no Brasil, diz Unicamp — Foto: Breno Esaki/Secretaria de Saúde DF

A pesquisa seguirá focada na mortalidade materna e na prevenção, com destaque para os determinantes sociais. Para Guida, o objetivo é divulgar amplamente os resultados e contribuir para o debate público.

Segundo o artigo, a mortalidade materna por aborto funciona como uma lente de aumento das desigualdades do país, ampliando o risco de morte justamente entre as populações que já enfrentam mais barreiras de acesso e vulnerabilidade social.

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