William Castillo, de 42 anos, vive no Brasil há um ano e sonha em trazer a família da Venezuela.
Ele descreve o país vizinho como “em ruínas”, marcada por instabilidade política, falta de alimentos, cortes de energia e um sistema de saúde em colapso.
Na fronteira, ele trabalha como vendedor, além de pegar serviços braçais como diarista. O dinheiro que recebe, envia para a família que ainda vive no país.
Migrantes venezuelanos fogem da crise atravessando a fronteira com o Brasil.
Há um ano vivendo no Brasil, o venezuelano William Castillo, de 42 anos, tem um sonho: reunir a família que ficou na Venezuela. Natural de San Félix, ele mora em Pacaraima, na fronteira em Roraima, e descreve o país vizinho como “em ruínas”, marcado por instabilidade política, falta de alimentos, cortes de energia e um sistema de saúde em colapso.
Na fronteira, ele trabalha como vendedor, além de pegar serviços braçais como diarista. O dinheiro que recebe, envia para a esposa, mãe e pai, que ainda vivem na cidade natal. Nas festas de fim de ano em 2025, ele voltou para a Venezuela para passar com a família. Fez o trajeto de carro.
➤ Entenda: Os Estados Unidos lançaram no sábado (3) um ataque contra a Venezuela com explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O presidente venezuelano Nicolás Maduro e a esposa dele foram capturados e levados aos EUA.
No Norte de Roraima, Pacaraima é a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil e, historicamente, tem recebido operações de controle e apoio humanitário em períodos de agravamento da crise no país vizinho.
Migrante venezuelano William Castillo, de 42 anos, vive em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Segundo William, a crise se agravou nos últimos meses com o fechamento de estabelecimentos comerciais e a dificuldade de acesso a itens básicos.
Há muitos comércios fechados. A comida está escasseando, falta luz, falta água. As pessoas querem sair rápido para a fronteira mais próxima, que é o Brasil
— conta.
Fronteira do Brasil com a Venezuela na manhã do dia 6 de janeiro de 2026. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
O desejo de trazer os familiares é motivado, principalmente, pelas dificuldades enfrentadas por quem permanece no país.
Meus irmãos e irmãs me falaram que querem vir. Estou tentando conseguir uma morada para que eles possam chegar, porque lá a situação está muito difícil
— afirma o vendedor.
Em Pacaraima, William mora de favor, pois relata não ter condições de pagar aluguel ainda. Esse é um dos motivos pelo qual ainda não trouxe a família para o Brasil. Ele conta que a população enfrenta restrições até para sair de casa.
Migrante venezuelano William Castillo. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Estão colocando horários para ir ao mercado, ao supermercado, aos abastos. Estão cortando muitas coisas. A maior dificuldade é a alimentação
— diz.
William chegou ao Brasil de ônibus e hoje mora em uma casa cedida gratuitamente em Pacaraima. Mesmo diante das dificuldades e com saudades da família, ele afirma que conseguiu recomeçar a vida no novo país.
Aqui no Brasil a economia é muito melhor. Trabalhando, vendendo coisas, consegui me sustentar e isso me ajudou bastante
— diz.
Eu vejo que a Venezuela vai se restabelecer. Vêm bênçãos para o país, mas no tempo de Deus
— Apesar de descrever a Venezuela como um país “em ruína”, William diz que mantém esperança no futuro. , afirma.
Se Deus permitir, eu trago todos para o Brasil: minha esposa, meu pai, meus irmãos. Em algum momento, todos vão vir
— Enquanto isso, o plano segue firme: trazer a família para perto. , conclui.
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