O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia enfrenta obstáculos significativos para o agronegócio brasileiro, especialmente devido às salvaguardas comerciais recentemente aprovadas. Segundo Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, durante o WW, as salvaguardas representam um retrocesso para o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.
Se você cria uma cota, o objetivo é que ela crie comércio. Agora vai ter uma salvaguarda que, se o volume de comércio crescer mais do que 5% da média dos três últimos anos, você pode fazer uma investigação e interromper essa cota
— explicou Jank.
Nas commodities clássicas, as três carnes, o açúcar e o etanol, nesses produtos, infelizmente, o acesso é muito limitado. E mesmo essas cotinhas não vão ter grande efeito
— O especialista destaca que as commodities clássicas brasileiras são as mais prejudicadas pelo acordo. , afirmou Jank.
O maior problema dos franceses não é o Mercosul, que virou o bode expiatório dessas manifestações, é a competição dentro da Europa, com países como Romênia e Polônia, que hoje são mais competentes do que os países da Europa Ocidental
— Jank ressalta que a questão agrícola foi transformada em bode expiatório nas negociações, quando na verdade há outros interesses em jogo. , argumentou.
A cota representa 2% do consumo da Europa e 4% das importações da Europa. Por quê? Porque mais de 90% é intra-União Europeia
— As cotas negociadas para produtos como carne bovina representam apenas uma pequena fração do consumo europeu. , explicou o especialista.
Por exemplo, a parte de produtos de valor adicionado, a Europa é super forte. Se surgirem investimentos nessa área, regras comuns, talvez a gente consiga fazer coisas em outras áreas
— Apesar dos desafios no setor de commodities, o acordo pode abrir oportunidades em outras áreas. , ponderou Jank, indicando que o acordo vai além do acesso a mercados, envolvendo regras em propriedade intelectual, investimentos, serviços e solução de controvérsias.