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Megaesôfago: a doença que faz cães se alimentarem em pé e exige cuidados por toda a vida

O megaesôfago é uma condição em que o esôfago perde a força e não conduz o alimento ao estômago, causando regurgitação.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2026 às 10:16 · Atualizado há 5 dias
Megaesôfago: a doença que faz cães se alimentarem em pé e exige cuidados por toda a vida
Foto: Reprodução / Arquivo

O megaesôfago é uma condição em que o esôfago perde a força e não conduz o alimento ao estômago, causando regurgitação.

O cão Fantasma, adotado em Sorocaba, foi diagnosticado com a doença ainda filhote e recebeu prognóstico de vida limitado.

Adaptações na alimentação, uso de cadeirinha e acompanhamento veterinário permitiram que o animal superasse as expectativas.

A doença pode ser congênita ou adquirida, e o principal sintoma é a regurgitação logo após as refeições.

Com megaesôfago, cão precisava se alimentar em pé para evitar risco de engasgos

O esôfago é um órgão que funciona como um tubo que liga a boca ao estômago, realizando movimentos automáticos que empurram o alimento em direção à parte inferior do corpo. Quando funciona corretamente, o alimento ingerido chega normalmente ao estômago. Porém, quando há falhas nesse processo, o tubo não consegue conduzir a comida, que acaba ficando “parada” ou sendo regurgitada.

A explicação é da médica-veterinária Ana Benevides, especialista em nutrição de cães e gatos. Nos animais, a condição em que o órgão não cumpre sua função é chamada de megaesôfago.

Esse tubo perde a força, fica mais largo, dilatado, e não consegue empurrar o alimento

— explica a veterinária.

Esse foi o diagnóstico recebido pelo cãozinho Fantasma, da tutora Raphaela Araújo Gutierres, logo após ser adotado.

Doença que dilata o esôfago faz com que animais precisem ser alimentados em pé — Foto: Arquivo Pessoal

A gente pegou o Fantasma quando ele tinha 45 dias. Ele ficou dois dias com a gente e nesse tempinho notamos que sempre que ele comia, passava bem mal, vomitava ou ele ficava com bastante gases. Conforme os dias foram passando, ele foi piorando

— relata.

Na época, Raphaela levou o cão a uma clínica veterinária de Sorocaba (SP), onde Fantasma permaneceu internado por quase duas semanas até que o diagnóstico de megaesôfago fosse confirmado.

No caso dele, a doença é congênita. Então ele já nasceu com com essa questão. Foi difícil descobrirem o diagnóstico, fizeram vários exames. E como ele era muito pequenininho, não tinha muito nutriente, estava bem magrinho e muito debilitado. Na época, deram estimativa de vida de seis meses e um ano para ele.

Apesar do prognóstico, Raphaela decidiu fazer o possível para garantir qualidade de vida ao animal e tentar prolongar o tempo ao lado dele. Foi então que levou Fantasma para ser atendido pela veterinária Ana Benevides.

E aí a gente começou a estudar as melhores medicações, como que a gente podia fazer para conseguir reverter ao máximo possível o quadro dele, porque apesar de não ter cura, algumas adaptações podem ser feitas para diminuir os sintomas

— aponta a tutora.

A veterinária explica que, na radiografia de Fantasma, é possível observar o esôfago significativamente dilatado, com dimensões muito maiores do que as de um órgão saudável.

Em um animal saudável, o esôfago praticamente não aparece na radiografia, porque ele é fino e colabado. Na do Fantasma, ele aparece como um tubo largo ao longo do tórax, acompanhando a coluna, justamente porque está dilatado. Esse espaço aumentado acaba funcionando como um reservatório, onde o alimento fica acumulado, o que explica essa área mais branca que a gente vê na imagem. Então não é só o alimento isolado, é o esôfago dilatado e alimento retido dentro dele

— aponta.

Raio-x feita em Fantasma, na época em que cão recebeu o diagnóstico, mostra o esofâgo dilatado — Foto: Arquivo Pessoal

A rotina de Fantasma passou por mudanças que impactaram desde a alimentação até as atividades do dia a dia.

Para manter o pet na posição correta durante as refeições, Raphaela utilizava uma cadeirinha. Mas com o crescimento de Fantasma, foi necessário adaptar o método, substituindo a cadeirinha por um balde, onde o animal é colocado para permanecer ereto.

Com medicação, alimentação adequada, cuidados constantes e muito carinho, Fantasma superou a expectativa de vida que recebeu ainda filhote e hoje tem 1 ano e cinco meses e, apesar dos cuidados contínuos, o pet leva uma vida saudável.

A gente conseguiu reverter muito o caso dele. Hoje ele não precisa mais comer a ração batida, ele consegue comer o grãozinho e também não precisa ficar totalmente em pé, mas ainda assim tem que ser mais alto que os cachorros normais pra não correr o risco de piorar o quadro dele novamente. É um cachorro que a gente tem que estar sempre monitorando, ele não pode vomitar, porque um dos maiores riscos dessa doença é a aspiração do vômito, da regurgitação. Mas hoje ele vive muito bem, graças a Deus

— comemora a tutora.

Fantasma superou a expectativa de vida e hoje vive uma vida tranquila, comenta a tutora — Foto: Arquivo Pessoal

A veterinária Ana Benevides explica mais sobre a condição clínica. Veja abaixo perguntas e respostas sobre a doença:

Em alguns casos existe predisposição genética, mas nem sempre é hereditário. Quando surge depois, geralmente está ligado a outras doenças.

— O animal pode nascer com essa condição ou desenvolver ao longo da vida, segundo a especialista.

Segundo Ana, entre as causas adquiridas, é possível ter doenças neurológicas, musculares, alterações hormonais, inflamações ou até intoxicações.

Benevides reforça que o principal sinal é a regurgitação, que consiste no refluxo de comida do esôfago ou do estômago, sem náuseas nem contrações violentas dos músculos do abdômen.

É importante explicar que regurgitação não é a mesma coisa que vômito. No vômito, o animal faz força, fica enjoado. Na regurgitação, o alimento simplesmente volta, geralmente logo após comer, e vem praticamente inteiro. Além disso, o animal pode emagrecer, engasgar, tossir e ter dificuldade para ganhar peso.

O diagnóstico costuma ser feito com exames de imagem, como a radiografia, que mostra o esôfago dilatado. Em alguns casos, é preciso investigar a causa.

A comida precisa ser pastosa e oferecida com o animal em posição elevada, quase sentado ou em pé, para usar a gravidade a favor. Depois da refeição, ele precisa ficar nessa posição por alguns minutos. O acompanhamento nutricional é muito importante, porque esses animais têm mais risco de emagrecer e precisam de uma dieta bem ajustada para manter a saúde.

— A veterinária explica que, após o diagnóstico, a rotina do animal precisa ser adaptada, principalmente na alimentação.

Em alguns casos a gente trata a doença de base, em outros o foco é o manejo alimentar e o controle das complicações. Nos casos congênitos, geralmente não existe cura, mas é uma condição que pode ser controlada. Nos casos adquiridos, dependendo da causa, pode haver melhora.

— O tratamento vai depender da causa.

Com diagnóstico precoce, alimentação adequada, acompanhamento nutricional e orientação ao tutor, esses animais podem ter uma vida confortável e ativa. Com diagnóstico precoce, alimentação adequada, acompanhamento nutricional e orientação ao tutor, esses animais podem ter uma vida confortável e ativa.

— Não existe uma expectativa de vida fixa. Alguns animais têm quadros mais graves, mas muitos vivem por anos com boa qualidade de vida quando recebem os cuidados corretos.

A médica explica também que a doença acomete majoritamente os cães, mas também pode acontecer em gatos. No caso dos animais silvestres, o megaesôfago é mais raro.

Ana Benevides, médica veterinária e especialista em nutrição em cães e gatos, tira dúvidas sobre o megaesôfago, doença sem cura que afeta alimentação dos animais — Foto: Arquivo Pessoal

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