O megaesôfago é uma condição em que o esôfago perde a força e não conduz o alimento ao estômago, causando regurgitação.
O cão Fantasma, adotado em Sorocaba, foi diagnosticado com a doença ainda filhote e recebeu prognóstico de vida limitado.
Adaptações na alimentação, uso de cadeirinha e acompanhamento veterinário permitiram que o animal superasse as expectativas.
A doença pode ser congênita ou adquirida, e o principal sintoma é a regurgitação logo após as refeições.
Com megaesôfago, cão precisava se alimentar em pé para evitar risco de engasgos
O esôfago é um órgão que funciona como um tubo que liga a boca ao estômago, realizando movimentos automáticos que empurram o alimento em direção à parte inferior do corpo. Quando funciona corretamente, o alimento ingerido chega normalmente ao estômago. Porém, quando há falhas nesse processo, o tubo não consegue conduzir a comida, que acaba ficando “parada” ou sendo regurgitada.
A explicação é da médica-veterinária Ana Benevides, especialista em nutrição de cães e gatos. Nos animais, a condição em que o órgão não cumpre sua função é chamada de megaesôfago.
Esse tubo perde a força, fica mais largo, dilatado, e não consegue empurrar o alimento
— explica a veterinária.
Esse foi o diagnóstico recebido pelo cãozinho Fantasma, da tutora Raphaela Araújo Gutierres, logo após ser adotado.
Doença que dilata o esôfago faz com que animais precisem ser alimentados em pé — Foto: Arquivo Pessoal
A gente pegou o Fantasma quando ele tinha 45 dias. Ele ficou dois dias com a gente e nesse tempinho notamos que sempre que ele comia, passava bem mal, vomitava ou ele ficava com bastante gases. Conforme os dias foram passando, ele foi piorando
— relata.
Na época, Raphaela levou o cão a uma clínica veterinária de Sorocaba (SP), onde Fantasma permaneceu internado por quase duas semanas até que o diagnóstico de megaesôfago fosse confirmado.
No caso dele, a doença é congênita. Então ele já nasceu com com essa questão. Foi difícil descobrirem o diagnóstico, fizeram vários exames. E como ele era muito pequenininho, não tinha muito nutriente, estava bem magrinho e muito debilitado. Na época, deram estimativa de vida de seis meses e um ano para ele.
Apesar do prognóstico, Raphaela decidiu fazer o possível para garantir qualidade de vida ao animal e tentar prolongar o tempo ao lado dele. Foi então que levou Fantasma para ser atendido pela veterinária Ana Benevides.
E aí a gente começou a estudar as melhores medicações, como que a gente podia fazer para conseguir reverter ao máximo possível o quadro dele, porque apesar de não ter cura, algumas adaptações podem ser feitas para diminuir os sintomas
— aponta a tutora.
A veterinária explica que, na radiografia de Fantasma, é possível observar o esôfago significativamente dilatado, com dimensões muito maiores do que as de um órgão saudável.
Em um animal saudável, o esôfago praticamente não aparece na radiografia, porque ele é fino e colabado. Na do Fantasma, ele aparece como um tubo largo ao longo do tórax, acompanhando a coluna, justamente porque está dilatado. Esse espaço aumentado acaba funcionando como um reservatório, onde o alimento fica acumulado, o que explica essa área mais branca que a gente vê na imagem. Então não é só o alimento isolado, é o esôfago dilatado e alimento retido dentro dele
— aponta.
Raio-x feita em Fantasma, na época em que cão recebeu o diagnóstico, mostra o esofâgo dilatado — Foto: Arquivo Pessoal
A rotina de Fantasma passou por mudanças que impactaram desde a alimentação até as atividades do dia a dia.
Para manter o pet na posição correta durante as refeições, Raphaela utilizava uma cadeirinha. Mas com o crescimento de Fantasma, foi necessário adaptar o método, substituindo a cadeirinha por um balde, onde o animal é colocado para permanecer ereto.
Com medicação, alimentação adequada, cuidados constantes e muito carinho, Fantasma superou a expectativa de vida que recebeu ainda filhote e hoje tem 1 ano e cinco meses e, apesar dos cuidados contínuos, o pet leva uma vida saudável.
A gente conseguiu reverter muito o caso dele. Hoje ele não precisa mais comer a ração batida, ele consegue comer o grãozinho e também não precisa ficar totalmente em pé, mas ainda assim tem que ser mais alto que os cachorros normais pra não correr o risco de piorar o quadro dele novamente. É um cachorro que a gente tem que estar sempre monitorando, ele não pode vomitar, porque um dos maiores riscos dessa doença é a aspiração do vômito, da regurgitação. Mas hoje ele vive muito bem, graças a Deus
— comemora a tutora.
Fantasma superou a expectativa de vida e hoje vive uma vida tranquila, comenta a tutora — Foto: Arquivo Pessoal
A veterinária Ana Benevides explica mais sobre a condição clínica. Veja abaixo perguntas e respostas sobre a doença:
Em alguns casos existe predisposição genética, mas nem sempre é hereditário. Quando surge depois, geralmente está ligado a outras doenças.
— O animal pode nascer com essa condição ou desenvolver ao longo da vida, segundo a especialista.
Segundo Ana, entre as causas adquiridas, é possível ter doenças neurológicas, musculares, alterações hormonais, inflamações ou até intoxicações.
Benevides reforça que o principal sinal é a regurgitação, que consiste no refluxo de comida do esôfago ou do estômago, sem náuseas nem contrações violentas dos músculos do abdômen.
É importante explicar que regurgitação não é a mesma coisa que vômito. No vômito, o animal faz força, fica enjoado. Na regurgitação, o alimento simplesmente volta, geralmente logo após comer, e vem praticamente inteiro. Além disso, o animal pode emagrecer, engasgar, tossir e ter dificuldade para ganhar peso.
O diagnóstico costuma ser feito com exames de imagem, como a radiografia, que mostra o esôfago dilatado. Em alguns casos, é preciso investigar a causa.
A comida precisa ser pastosa e oferecida com o animal em posição elevada, quase sentado ou em pé, para usar a gravidade a favor. Depois da refeição, ele precisa ficar nessa posição por alguns minutos. O acompanhamento nutricional é muito importante, porque esses animais têm mais risco de emagrecer e precisam de uma dieta bem ajustada para manter a saúde.
— A veterinária explica que, após o diagnóstico, a rotina do animal precisa ser adaptada, principalmente na alimentação.
Em alguns casos a gente trata a doença de base, em outros o foco é o manejo alimentar e o controle das complicações. Nos casos congênitos, geralmente não existe cura, mas é uma condição que pode ser controlada. Nos casos adquiridos, dependendo da causa, pode haver melhora.
— O tratamento vai depender da causa.
Com diagnóstico precoce, alimentação adequada, acompanhamento nutricional e orientação ao tutor, esses animais podem ter uma vida confortável e ativa. Com diagnóstico precoce, alimentação adequada, acompanhamento nutricional e orientação ao tutor, esses animais podem ter uma vida confortável e ativa.
— Não existe uma expectativa de vida fixa. Alguns animais têm quadros mais graves, mas muitos vivem por anos com boa qualidade de vida quando recebem os cuidados corretos.
A médica explica também que a doença acomete majoritamente os cães, mas também pode acontecer em gatos. No caso dos animais silvestres, o megaesôfago é mais raro.
Ana Benevides, médica veterinária e especialista em nutrição em cães e gatos, tira dúvidas sobre o megaesôfago, doença sem cura que afeta alimentação dos animais — Foto: Arquivo Pessoal
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