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Manifestantes protestam contra feminicídio em atos pelo país

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/12/2025 às 17:40 · Atualizado há 4 dias
Manifestantes protestam contra feminicídio em atos pelo país
Foto: Reprodução / Arquivo

Milhares de pessoas participaram de atos em diversas cidades do país neste domingo (7) para reclamar contra o aumento dos casos de feminicídio e outras formas de violência contra as mulheres. O Levante Mulheres Vivas convocou atos em pelo menos 20 estados e no Região Federalista.

O “Levante” foi convocado por dezenas de organizações de mulheres, depois sucessivos casos emblemáticos de feminicídios que chocaram o Brasil nos últimos dias. Em 2025, o país registrou mais de milénio casos de feminicídio. O caso mais recente ocorreu na sexta-feira (5), quando a cabo do Tropa Maria de Lourdes Freire Matos foi assassinada por um soldado dentro de um quartel.

Manifestantes protestam contra feminicídio em atos pelo país. (Foto: Marcelo Camargo/ Dependência Brasil)

São Paulo

Em São Paulo, os manifestantes se concentraram em frente ao Masp, na Avenida Paulista. O grupo exibiu faixas e cartazes com frases uma vez que “Mulheres Vivas” e caminhou pela região medial da cidade. A maioria do público era formada por mulheres, mas também haviam muitos homens e crianças.

A ativista Lívia La Gatto fez um exposição no sege de som agradecendo aos homens presentes no ato. “Vocês são a tratamento, obrigada por estarem cá”. Em seguida, Priscila Magrin, mãe de Nicolly, vítima de feminicídio aos 15 anos, discursou, levando muitos presentes às lágrimas.

“Sou a mãe da Nicolly, de 15 anos, vítima de feminicídio. Se ela não estivesse morta, estaria cá com a gente, lutando. Ela foi brutalmente assassinada e esquartejada, os pedaços dela foram jogados no lago pelo namorado e pela ex-namorada dele, ambos menores de idade. Eles faziam secção de grupos extremistas da internet”, afirmou a mãe.

Em 2025, o número de feminicídios na capital paulista chegou a 53 casos, o maior da série histórica –o recorde acontece mesmo com dois meses ainda para terminar o ano. Em 2024, foram 51 casos de feminicídio de janeiro a dezembro, até portanto o maior número já registrado.

De consonância com um levantamento do Instituto Sou da Tranquilidade, a capital paulista foi o cenário de 1 a cada 4 feminicídios consumados no estado. Na conferência dos dez primeiros meses de 2025 com o mesmo período do ano pretérito, a subida é de 23% na cidade. Em relação a 2023, o incremento foi de 71%.

Os dados reforçam a tendência histórica da violência contra a mulher: a maioria dos casos ocorre dentro de lar (67%) e as vítimas são assassinadas com armas brancas ou objetos contundentes –instrumentos usados em mais da metade dos crimes no estado.

Vítimas de feminicídio foram lembradas durante a revelação em SP. (Foto: Geisa Marques / Brasil de Indumento)

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, centenas de pessoas se reuniram em frente ao Posto 5, na Avenida Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul da cidade. Os manifestantes exibiram cartazes e faixas contra a violência às mulheres.

Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), o estado do Rio registrou, até novembro de 2025, 79 casos de feminicídio e 242 tentativas.

Região Federalista

Sob fortes pancadas de chuva, milhares de pessoas participaram do protesto no Região Federalista (DF) para denunciar a violência contra a mulher, o feminicídio e a preterição do Estado na proteção e prevenção à violência de gênero. Em Brasília, falas de lideranças e apresentações culturais movimentaram a Torre de TV, no núcleo da capital.

Ministras e a primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na dimensão medial de Brasília, contra o o feminicídio – Foto Marcelo Camargo/Dependência Brasil

A revelação contou com a presença de um ministro e seis ministras, entre elas as da pasta da Mulher, Cida Gonçalves, da Paridade Racial, Anielle Franco, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, além de deputadas federais, da primeira-dama Janja Lula da Silva e diversas lideranças populares.

Foram recorrentes falas contra o Estado e a preterição e incapacidade das instituições de protegerem as mulheres vítimas de violência, assim uma vez que de prevenir esses crimes.

A doutora em ciência sociais Vanessa Hacon é ativista do Coletivo Mães na Luta, que assessora mulheres vítimas de violência. Ela afirma que o sistema de Justiça é negligente no atendimento às mulheres e, na maioria dos casos, culpa a própria vítima. “As mulheres saem de lar para se livrar da violência doméstica e vão parar dentro do sistema de Justiça, onde a violência processual é intensa e absurda e os juízes não fazem zero”, disse Vanessa.

Com gritos uma vez que “Feminismo é revolução” e “Mulheres Vivas”, as manifestantes destacaram que a forma “patriarcal” uma vez que a sociedade foi estruturada ao longo dos séculos contribui para uma espécie de “epidemia” de feminicídios no Brasil.

“O patriarcado é quando a sociedade se estrutura a partir da lógica de que o varão, de que o gênero masculino, tem o poder, e o poder é concentrado neles, a partir deles, e é a partir deles que as coisas acontecem”, afirmou a militante do Movimento Preto Unificado (MNU), Leonor Costa.

Militante do Movimento Preto, Leonor Costa diz que ensino é fundamental para mudar violência contra mulheres. (Foto: Marcelo Camargo/Dependência Brasil)

Outros estados

Em Santa Catarina, os manifestantes participaram de uma marcha que começou por volta das 13h na cabeceira da Ponte Hercílio Luz e seguiu até o Terminal de Integração do Meio (Ticen), em Florianópolis. O ato também homenageou a professora Catarina Kasten, de 31 anos, estuprada e assassinada em uma trilha no dia 21 de novembro.

Em Minas Gerais, os manifestantes se reuniram na Terreiro Raul Soares, no Meio de Belo Horizonte e seguiram até a Terreiro Sete e a Terreiro da Estação, levando cartazes com frases uma vez que “basta de feminicídio”, “não me mate” e “pare de matar as mulheres”.

Casos de femicídio no Brasil

No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas depois ser atropelada e arrastada por murado de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi recluso criminado do delito.

Na mesma semana, duas funcionárias do Meio Federalista de Ensino Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição que se matou em seguida.

Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Tropa Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O delito está sendo investigada uma vez que feminicídio, depois o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, ter confessado a autoria do homicídio.

Tapume de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Planta Vernáculo da Violência de Gênero.

Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, murado de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios.

*Com informações da Folhapress e da Dependência Brasil 

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