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Maduro aparece em tribunal com tom desafiador: “Sou prisioneiro de guerra”

Calmo, mas desafiador, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, se definiu como um "prisioneiro de guerra" em seu primeiro comparecimento perante a justiça do...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 20:21 · Atualizado há 1 hora
Maduro aparece em tribunal com tom desafiador: “Sou prisioneiro de guerra”
Foto: Reprodução / Arquivo

Calmo, mas desafiador, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, se definiu como um "prisioneiro de guerra" em seu primeiro comparecimento perante a justiça dos Estados Unidos, dois dias após sua captura em Caracas e traslado para Nova York.

O líder chavista entrou na audiência em Manhattan ao lado de sua esposa, Cilia Flores, ambos algemados com as mãos para trás, com uniformes azul-marinho e cáqui. Maduro, com passos tranquilos, entrou e cumprimentou seu advogado, o experiente Barry Pollack, que também representa Julian Assange. Em seguida, passou boa parte da audiência tomando notas, ouvindo a tradução enquanto o juiz Alvin K. Hellerstein explicava o processo, e pediu para poder conservar esses apontamentos.

Sim, sou Nicolás Maduro Moros, o presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela

— Quando o magistrado lhe deu a palavra para que confirmasse sua identidade, ele respondeu: . E continuou: "Fui sequestrado no dia 3 de janeiro por uma intervenção militar dos Estados Unidos. Me considero prisioneiro de guerra, me acolho às convenções de Genebra e de Viena. Fui capturado em minha casa na Venezuela."

Sou Nicolás Maduro, sou inocente, não sou culpado. Sou um homem decente e o presidente constitucional de meu país.

— Nesse momento, o juiz o interrompeu e afirmou que haveria tempo e lugar para apresentar seus argumentos, mas que, nesta instância, queria apenas que confirmasse que se tratava dele. O acusado respondeu:

O ex-presidente enfrenta quatro acusações federais, uma delas por narcoterrorismo, enquanto Flores enfrenta três acusações. O juiz explicou que a Promotoria os acusa de fazer parte de uma conspiração para importar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

Tanto Maduro quanto sua esposa disseram que não haviam lido a acusação completa, mas que não optariam por uma leitura completa durante a audiência, preferindo fazer isso em privado.

Sim, sou Cilia Flores, a primeira-dama da Venezuela. Sou inocente, não sou culpada dessas acusações.

— Na vez de Flores, ela também reafirmou a acusação:

Flores apresentou um curativo adesivo na testa e seu advogado, Mark Donnelly, afirmou que ela sofreu ferimentos significativos durante a operação militar, com hematomas e uma possível fratura de costela. Por sua vez, Maduro mostrou algumas dificuldades para sentar e levantar. O juiz autorizou uma avaliação médica solicitada pelos advogados.

A defesa confirmou que, no momento, não solicitam liberdade sob fiança. Em vez disso, pediram visitas consulares, pois, como cidadãos estrangeiros, têm o direito de receber um representante consular.

O juiz agendou a próxima audiência para o dia 17 de março. Até lá, a promotoria apresentará provas do caso à defesa, embora muitas delas provavelmente sejam classificadas e permaneçam em segredo.

Jornalistas e outras pessoas, alguns deles venezuelanos, fizeram fila por horas fora do tribunal para conseguir um lugar e ver pessoalmente o início do processo contra Maduro, que governou o país sul-americano por quase 13 anos.

Maduro, você vai pagar pelo que fez

— Ao sair da sala, um manifestante gritou: . Ele o olhou e, sem perder a compostura, levantou o dedo para o céu e respondeu: "Eu sou um homem de Deus".

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