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Linfoma de Hodgkin: o que é o câncer que matou a influenciadora Isabel Veloso

A influenciadora Isabel Veloso morreu aos 19 anos em decorrência de um linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, rede de vas...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 12:01 · Atualizado há 1 semana
Linfoma de Hodgkin: o que é o câncer que matou a influenciadora Isabel Veloso
Foto: Reprodução / Arquivo

A influenciadora Isabel Veloso morreu aos 19 anos em decorrência de um linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, rede de vasos e gânglios responsável pela defesa do organismo. A morte foi confirmada neste sábado (10) pelo marido, Lucas Borbas, em uma publicação nas redes sociais.

O linfoma de Hodgkin é um câncer que se origina em células do sistema imunológico e pode se manifestar inicialmente por sinais discretos, como o surgimento de ínguas indolores.

Por afetar estruturas espalhadas por todo o corpo, a doença pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que contribui para atrasos no reconhecimento do problema. Isabel descobriu nódulos no pescoço e no tórax.

Entender como esse câncer se desenvolve ajuda a explicar por que o diagnóstico nem sempre é imediato e quais são os caminhos do tratamento.

O linfoma de Hodgkin se origina no sistema linfático, rede formada por vasos e linfonodos (gânglios) espalhados pelo corpo, além de órgãos como baço e timo. Esse sistema participa da produção, maturação e circulação das células de defesa e também ajuda a manter o equilíbrio de líquidos no organismo.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a doença surge quando células do sistema linfático sofrem alterações e passam a se multiplicar de forma desordenada, formando tumores —principalmente nos linfonodos.

Uma das principais diferenças do linfoma de Hodgkin em relação a outros linfomas é a presença, nos exames microscópicos, das chamadas células de Reed-Sternberg. Essas células são linfócitos alterados que perderam o controle do crescimento e passam a se multiplicar de forma anormal.

A identificação dessas células funciona como uma “assinatura” da doença. Quando elas aparecem na biópsia do linfonodo, os médicos conseguem confirmar que se trata de linfoma de Hodgkin e não de outro tipo de câncer do sistema linfático, o que é decisivo para definir o tratamento mais adequado.

O linfoma de Hodgkin pode surgir em qualquer idade, mas apresenta dois picos mais frequentes:

Não há um único fator de risco definido. Em parte dos casos, há associação com alterações do sistema imunológico, histórico familiar ou infecções virais prévias, como o vírus Epstein-Barr. Em muitos pacientes, porém, não é possível identificar um fator desencadeante claro.

O sintoma mais comum é o aumento dos linfonodos, percebido como caroços ou ínguas geralmente indolores. Eles aparecem com mais frequência no pescoço, nas axilas e na virilha.

Por não provocarem dor, essas alterações podem ser ignoradas ou atribuídas a infecções passageiras. Com a evolução da doença, outros sintomas podem surgir, como:

A persistência desses sinais por semanas deve levar à investigação médica.

O diagnóstico do linfoma de Hodgkin é confirmado por biópsia do linfonodo suspeito. O procedimento consiste na retirada de parte ou de todo o gânglio para análise em laboratório.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença é classificada em dois grandes grupos:

O linfoma de Hodgkin clássico, responsável pela maioria dos casos, é caracterizado pela presença das células de Reed-Sternberg e tende a ter um comportamento mais disseminado no sistema linfático. É também a forma mais estudada e para a qual existem protocolos bem definidos de tratamento, geralmente baseados em quimioterapia, com ou sem radioterapia.

Já o linfoma de Hodgkin de predomínio linfocitário nodular é mais raro, presente em cerca de 5% dos pacientes. Nesse subtipo, as células tumorais têm características diferentes e a doença costuma evoluir de forma mais lenta, muitas vezes restrita a poucos linfonodos. Por isso, em situações selecionadas, a abordagem pode ser distinta, com tratamentos menos intensivos ou estratégias mais individualizadas.

Após a confirmação, exames de imagem ajudam a definir a extensão da doença, etapa conhecida como estadiamento, essencial para orientar o tratamento.

O tratamento varia conforme idade, estado geral de saúde, tipo do linfoma e estágio da doença. Segundo o Hospital Sírio-Libanês, as principais opções incluem:

quimioterapia em altas doses com transplante de medula óssea, em situações específicas

Na maioria dos casos, a base do tratamento é a quimioterapia, isolada ou combinada à radioterapia. Muitos pacientes apresentam boa resposta já na primeira linha terapêutica, o que explica as altas taxas de cura associadas ao linfoma de Hodgkin.

Quando a doença não responde adequadamente ao tratamento inicial ou volta após um período de remissão, outras estratégias podem ser indicadas. Entre elas estão o uso de anticorpos monoclonais, a quimioterapia em altas doses seguida de transplante de medula óssea e, em situações mais específicas, terapias celulares mais recentes.

É nesse grupo que entra a terapia CAR-T cell, na qual células de defesa do próprio paciente são modificadas em laboratório para reconhecer e atacar o câncer. No linfoma de Hodgkin, a CAR-T não é tratamento de primeira linha e costuma ser considerada apenas em casos refratários ou recidivados, geralmente em centros especializados e após avaliação criteriosa.

Durante o tratamento, podem ocorrer efeitos colaterais como queda de cabelo, náuseas, fadiga e maior risco de infecções. Esses efeitos, em geral, são temporários e monitorados de perto pela equipe médica.

Sim. O linfoma de Hodgkin é considerado um dos cânceres com maiores taxas de cura dentro da oncologia, sobretudo quando diagnosticado precocemente.

Segundo o Hospital Oswaldo Cruz, grande parte dos pacientes alcança remissão completa com o tratamento inicial. Após o fim da terapia, o acompanhamento médico continua sendo fundamental para monitorar recidivas e possíveis efeitos tardios.

Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin têm comportamentos clínicos diferentes. No linfoma de Hodgkin, a doença costuma se espalhar de forma mais previsível, avançando de um grupo de linfonodos para outro, o que facilita o planejamento do tratamento e o acompanhamento da resposta.

Já os linfomas não-Hodgkin formam um grupo mais amplo e heterogêneo de doenças. Eles podem evoluir de maneira mais agressiva ou mais lenta, atingir órgãos fora do sistema linfático com maior frequência e exigir esquemas terapêuticos bastante variados, dependendo do subtipo.

Na prática, o tipo de célula identificado na biópsia define não apenas o nome da doença, mas também como ela tende a evoluir, quais tratamentos são indicados e qual é a expectativa de resposta ao tratamento. Por isso, a diferenciação entre Hodgkin e não-Hodgkin é um passo central no cuidado do paciente.

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