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Hugo Motta desmoralizado após intentona bolsonarista

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/08/2025 às 06:38 · Atualizado há 1 semana
Hugo Motta desmoralizado após intentona bolsonarista
Foto: Reprodução / Arquivo

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Por Cleber Lourenço

A ocupação do plenário da Câmara dos Deputados por parlamentares bolsonaristas deixou marcas profundas e ampliou o desgaste da imagem do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em menos de 48 horas, a tentativa de retomar o controle institucional se transformou em um teste fracassado de autoridade. Motta saiu da crise apequenado e, segundo relatos ouvidos pela coluna, ainda mais isolado politicamente.

Sob pressão e diante da paralisia do plenário, Hugo Motta recorreu ao seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), para tentar debelar o motim liderado por deputados de extrema direita. A estratégia, porém, não funcionou. Lira, apesar de ainda exercer influência sobre parte do centrão, foi hostilizado, empurrado por parlamentares bolsonaristas, não conseguiu liberar a Mesa Diretora e saiu sob gritos de “anistia sim”. Sua tentativa de intervir expôs não apenas a falha da articulação, mas também a falta de respeito da base radical ao ex-presidente da Câmara. A cena foi vista como humilhante e aumentou a percepção de que nenhum comando político está, de fato, controlando o plenário.

Após um dia inteiro de tensão, Hugo Motta finalmente conseguiu subir à Mesa Diretora e abrir sessão. No entanto, seu discurso, que deveria reafirmar a autoridade da presidência da Câmara, acabou gerando ainda mais constrangimento. Em um trecho emblemático, afirmou: “Os senhores e senhoras não esperem nunca desta presidência omissão ou coragem para decidir sobre qualquer tema”. A frase, lida como ato falho, foi interpretada como um sinal inequívoco de nervosismo, indecisão e fragilidade. Deputados comentaram em reservado que, mesmo tentando se posicionar com firmeza, Motta revelou mais do que gostaria sobre a insegurança que ronda sua gestão.

Nos bastidores, deputados da base governista e da oposição convergem em um ponto: a imagem de Motta como presidente é fraca, marcada pela tentativa constante de agradar todos os lados, mesmo quando as promessas são incompatíveis. A fama de não ser confiável ou de palavra já era presente antes da crise, mas se agravou com os recentes eventos. Segundo um deputado governista, Motta “aceita pedidos contraditórios em reuniões diferentes e sai afirmando que vai atender ambos”, o que alimenta desconfiança generalizada sobre sua capacidade de conduzir a Casa em momentos de crise.

Um exemplo dessa falta de palavra está no fato de que mesmo após fazer seguidas ameaças de que iria punir os deputados amotinados com até 6 meses  suspensão, terminou saindo do plenário sem anunciar qualquer sanção

Hugo Motta

Durante as negociações, deputados bolsonaristas divulgaram que havia um suposto acordo para pautar a anistia na próxima semana. Nenhum outro grupo confirmou a informação, tampouco a presidência da Câmara. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) disse a jornalistas que não houve qualquer acordo nas reuniões. Uma fonte com trânsito nas articulações afirmou: “os apoiadores do ex-presidente Bolsonaro querem uma saída honrosa. Depois, vão alegar descumprimento dos acordos”. Na avaliação de lideranças do centrão, esse tipo de narrativa é parte da estratégia bolsonarista de vitimização e mobilização constante, mesmo sem resultado legislativo concreto.

O Regimento Interno da Câmara é categórico: condutas que tenham por finalidade impedir ou obstaculizar as atividades legislativas sujeitam os parlamentares às sanções previstas no artigo 15, inciso XXX. Ainda assim, Hugo Motta evitou aplicar punições imediatas ou confrontar de forma mais dura os deputados envolvidos na ocupação. Assessores afirmaram que o presidente avalia que medidas mais duras poderiam “acirrar ainda mais os ânimos”. A leitura de deputados mais experientes, no entanto, é que a omissão em nome da conciliação está destruindo sua autoridade política.

Outro ponto que pesou contra Motta foi a necessidade de acionar a Polícia Legislativa para reestabelecer a ordem, fato incomum em sessões plenárias. Mesmo com a intervenção da segurança, a ocupação da Mesa Diretora se prolongou por horas e a sessão só teve início mais de duas horas após o horário previsto. Deputados relataram que, nos bastidores, houve temor de confronto físico mais grave, o que levou alguns parlamentares da base a deixarem o plenário.

A crise escancarou não apenas a agressividade da extrema direita parlamentar, mas também a vulnerabilidade da mesa diretora diante da pressão. A leitura predominante é de que Motta desperdiçou uma oportunidade de afirmar autoridade e reforçou sua imagem de presidente frágil, vacilante e sem comando efetivo sobre a Casa. Há entre aliados a sensação de que, caso a paralisia continue, seu mandato estará comprometido, e que o governo precisará encontrar novos canais para garantir o andamento da pauta no Legislativo.

O saldo, segundo um importante líder do centrão, é que a presidência de Hugo Motta entrou em rota de desgaste irreversível. “Ele vai continuar lá, mas ninguém mais vai confiar nele para momentos de pressão. Perdemos a liderança da Câmara para um vácuo”, afirmou.

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