O vazamento ocorrido na foz do Amazonas gerou preocupação no mercado, mas ainda é cedo para considerar o evento como algo que possa alterar significativamente os planos de exploração na região. Esta é a avaliação de Vitor Sousa, analista da Genial, que comentou o incidente durante entrevista ao CNN Money nesta terça-feira (6).
De acordo com Sousa, o vazamento foi limitado e não representa o tipo de desastre que poderia postergar o cronograma das perfurações na margem equatorial.
Causa uma preocupação, o papel chegou a cair mais de 1% na sessão de hoje, mas eu acho que ainda não altera o jogo, não altera os cronogramas de maneira relevante
— afirmou.
A margem equatorial representa uma área de extrema importância para a Petrobras, comparável ao que foi o pré-sal no passado. Sousa destacou que o pré-sal atualmente representa 80% da produção da empresa, mas, a partir de 2030, é esperado que essa produção comece a declinar, tornando essencial a busca por novas reservas.
O analista ressaltou o potencial da região, mencionando que a Guiana, país vizinho ao Brasil, já encontrou 11 bilhões de barris de petróleo desde 2015, enquanto o Brasil como um todo possui 15 bilhões de barris em suas reservas.
A margem equatorial, segundo alguns estudos e relatórios do próprio governo federal, pode ter até 30 bilhões de barris
— explicou.
Sobre a possível retomada dos investimentos americanos na Venezuela e como isso poderia afetar futuros leilões na margem equatorial brasileira, Sousa admitiu que pode haver uma disputa por recursos dentro do mercado de petróleo.
A Venezuela tem 300 bilhões de barris de reserva provada. A gente sabe que o petróleo está ali, ele só não está produzindo por N fatores
— comentou.
Questionado sobre o momento atual do mercado de petróleo, com expectativa de oferta maior que demanda pelos próximos 18 meses, o analista defendeu uma postura contracíclica para os investidores.
Se nesse exato momento existe um pessimismo em relação ao preço do petróleo, eu acho que é exatamente nesse momento que você tem que montar a posição
— disse.
Entre as petroleiras disponíveis na B3, Sousa indicou preferência pela Prio, destacando seu baixo custo de extração e boa execução de projetos.
Ela [Prio] tem, inclusive, o segundo melhor custo de extração, acho que fica atrás só do pré-sal. Então nesse momento em que o preço do petróleo está mais baixo, o custo de extração é algo que a gente precisa dar uma olhada
— concluiu.