Publicidade
Capa / Brasil

Flávio Bolsonaro vai atrás de ‘recall’ do pai em igrejas evangélicas

(Folhapress) – Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já se declarava evangélico, achou por bem reforçar o recado.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 12:32 · Atualizado há 5 dias
Flávio Bolsonaro vai atrás de ‘recall’ do pai em igrejas evangélicas
Foto: Reprodução / Arquivo

(Folhapress) – Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já se declarava evangélico, achou por bem reforçar o recado.

No último domingo de 2025, o senador saiu de seu assento no culto da Lagoinha Church, em Orlando. Atendia ao chamado do pastor André Valadão para que todos que ali quisessem se reconciliar com Deus fossem à frente do púlpito: “Me deixa orar por você”.

restabelecer a saúde de Jair Bolsonaro

— Ao compartilhar o momento nas redes sociais, o pré-candidato à Presidência evocou Deus, “o médico dos médicos”, que iria e renovar “nossas forças” para o eleitoral 2026.

O primogênito de Jair permaneceu em Orlando para o Réveillon, que passou num megaevento conduzido por Valadão numa arena local, o Vira Brasil. O elenco evangélico contava com figuras de alto quilate do segmento, como o evangelista Deive Leonardo.

Antes do Natal, Flávio publicizou outra participação em ato religioso, dessa vez em solo nacional. Ao lado dos irmãos Carlos (PL-RJ) e Jair Renan (PL-SC), ele foi comparado pelo anfitrião àquele que na Bíblia lidera o povo de Israel na conquista da terra prometida.

os Josués lá na frente da batalha

— Os filhos de Bolsonaro seriam , segundo o senador Magno Malta (PL-ES), que liderou a pregação ladeado pela filha Maguinha Malta.

O senador não deve parar por aí. Ele planeja intensificar aparições em eventos evangélicos, um flanco que o pai, hoje inelegível, trata como ativo eleitoral decisivo, representa 27% da população brasileira.

A estratégia passa por apresentar-se como um interlocutor confiável, capaz de dialogar com lideranças que, nos últimos anos, oscilaram entre a fidelidade a Bolsonaro e a busca por alternativas menos conflituosas no campo conservador.

tentativa de recall da popularidade de Bolsonaro por parte de Flávio, para tentar legitimar sua candidatura no segmento

— A antropóloga Lívia Reis, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), aponta uma patente .

A partir de 2016, as principais lideranças evangélicas se uniram em torno de um projeto e, mais importante, de um inimigo comum. Naquele momento, o católico Jair Bolsonaro era a única figura com potencial para derrotar o PT.

— Com um porém: o cenário que elegeu o pai oito anos atrás já não é o mesmo.

Daí vermos quase nenhuma resistência, entre essa cúpula evangélica, ao homem que acumulava três casamentos e falava palavrão. A leitura é a de que havia algo maior em jogo.

O que a gente observava era um esforço coletivo de se fazer uma limpeza moral da figura de Bolsonaro e de alçá-lo a um lugar de escolhido por Deus para a missão de governar o Brasil. Nesse enredo, Michelle Bolsonaro teve um papel fundamental, porque a evangélica de fato era ela

— afirma Reis.

Corta para 2026, e Flávio está longe do respaldo que seu pai tinha nesse quinhão religioso. Em primeiro lugar, há a própria Michelle, preferida de algumas lideranças para compor a chapa presidencial, de preferência como vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

É o caso de Silas Malafaia, abertamente avesso a essa aventura eleitoral do senador. O pastor, um dos nomes mais vocais da direita bolsonarista, diz não ter nada contra Flávio pessoalmente, mas não o considera uma boa opção para enfrentar a esquerda, que estaria salivando com sua entrada na disputa presidencial.

Você viu o Lula e o PT atacarem ele? Não, porque ele é o melhor cara para ser derrotado. Eles são terrivelmente estratégicos.

Malafaia coloca sob suspeita toda a movimentação em torno da candidatura de Flávio.

Isso é uma vergonha, gente. [Bolsonaro] estava internado para ser operado, emocionalmente fragilizado, o filho volta lá, pai, tem que escrever aqui, porque o pessoal não está acreditando [que ele era presidenciável]. Isso aí não é estratégia, é querer botar na goela das pessoas.

Ele expõe publicamente uma insatisfação com a candidatura do senador que irradia para a proa do poder evangélico. A maioria desses pastores de envergadura nacional prefere Tarcísio, ponto. Mas já se conforma que, sem o apoio de Bolsonaro, o governador de São Paulo vai optar pela jogada mais segura e tentar a reeleição. E a fila anda.

Flávio terá o endosso dessa liderança, mas com menos intensidade do que a obtida por Jair em 2018 e 2022. Os pastores não arriscariam, contudo, deixar o filho 01 de Bolsonaro à deriva eleitoral —se uma chapa encabeçada por ele for mesmo irreversível, haveria manifestações simpáticas a ela, ainda que menos efusivas.

O próprio pastor que orou por Flávio no final do ano evitou um alinhamento maior a ele. Questionado pela Folha, André Valadão disse que não convidou o senador nem para o evento do Ano Novo nem para seu culto. Flávio foi porque quis, assim como seu pai teria feito nas vezes em que visitou a Igreja Batista da Lagoinha.

Não sou bolsonarista e nunca fui. Meu posicionamento político não é por candidato, mas por princípios mais próximos aos que acredito. Não sou ligado a nenhum candidato

— afirmou.

uma bactéria esperando o sistema imunológico e suas defesas baixarem para voltar

— Seu engajamento político em 2022 não foi lido assim. Valadão teve embates com o ministro Alexandre de Moraes, então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e recepcionou políticos bolsonaristas em seu púlpito, como o deputado Eduardo Bolsonaro, a quem chamou de “precioso, querido” num discurso em que comparou o comunismo a .

Isso tem a ver com tudo o que aconteceu com o próprio Bolsonaro, que passa de uma imagem de homem viril para a de um homem debilitado e engolido pelo sistema que se dispôs a combater.

— O que se vê por ora é um horizonte mais fragmentado, diz a antropóloga do Iser.

Podemos nos surpreender com lideranças que outrora apoiaram Bolsonaro se abstendo de fazer campanha contrária ao presidente.

— Reis também não descarta um freio maior para criticar Lula (PT), que deve buscar seu quarto mandato.

até porque não herdou seu carisma

— Para a pesquisadora, Flávio parte de situação mais desconfortável do que seu pai no eleitorado crente, .

Ministro da Casa Civil critica interferências externas em meio à polêmica com o TCU

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade