Europa reage às ameaças de Trump sobre Groenlândia — Foto: Reprodução/TV Globo
As atenções do planeta se voltam para a Groenlândia, porque os Estados Unidos elevaram nesta terça-feira (6) o tom das ameaças contra o território da Dinamarca, que fica na região do Ártico.
Em uma entrevista à rede de TV americana CNN, na noite de segunda-feira (5), o assessor de Donald Trump, Stephen Miller, disse que a Groenlândia deveria fazer parte dos Estados Unidos, e que ninguém vai lutar contra os Estados Unidos por causa do território. E questionou o direito da Dinamarca de controlar a ilha.
Nesta terça-feira (6), em resposta a um questionamento da agência de notícias Reuters, a Casa Branca declarou em nota que o presidente Donald Trump já deixou claro que a Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional. E que a Groenlândia é vital para conter os adversários dos Estados Unidos na região do Ártico.
Miller afirmou que o presidente Donald Trump e o integrantes do governo estão discutindo várias opções pra garantir o controle da ilha. E utilizar as forças armadas é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe.
Mas segundo o Wal Street Journal, o secretário de estado, Marco Rubio, procurou acalmar a situação. Numa reunião com parlamentares americanos, disse que as ameaças não significam que os Estados Unidos estejam planejando um ataque iminente ao território. E que a intenção é comprar a Groenlândia da Dinamarca.
Diante das ameaças de Donald Trump, líderes europeus saíram em defesa da soberania da Groenlândia e da Dinamarca.
As ameaças provocaram indignação na Dinamarca, que controla mais de 200 anos o território autônomo da Groenlândia. O governo da Groenlândia também reagiu: chegou a pedir mais respeito a Donald Trump. Mas a preocupação é de todo o continente europeu, por causa do risco de um rompimento nunca visto na OTAN.
A aliança militar do ocidente foi criada para enfrentar adversários externos e não para lidar com divergências entre países que fazem parte do grupo. O assunto acabou desviando o foco de uma reunião importantíssima na França, para tentar acabar com outro conflito - o da Ucrânia.
Um a um, o presidente da França, Emanuel Macron, recebeu os líderes da coalizão dos dispostos. Alemanha, Reino Unido, Itália, Dinamarca, Espanha, Polônia, Canadá, União Europeia. Também o secretário geral da Otan, Mark Rutte, e os representantes dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, que é genro de Trump.
Mas antes de tudo, os líderes publicaram uma declaração conjunta sore a Groenlândia. O documento reafirma a prioridade da segurança na região do Ártico, e destaca o papel da Dinamarca, incluindo a Groenlândia. Também lembra que Dinamarca e Estados Unidos, como membros da Otan, têm um compromisso de defender a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras dos aliados. E diz que a Groenlândia pertence a seu povo, e que apenas Dinamarca e a própria Groenlândia podem decidir assuntos relativos a eles.
O interesse de Donald Trump pela Groenlândia vem desde o primeiro mandato. E está ligado à posição do território entre o Ártico e o Atlântico Norte, em uma região onde o aquecimento global abre novas rotas de navegação, potencialmente mais curtas entre a Ásia e a Europa, um movimento que envolve também a China e a Rússia.
A ilha da Groenlândia ainda concentra grandes reservas de minerais, as terras raras necessárias para a fabricação de chips, além de petróleo e gás.
Uma disputa territorial entre países da Otan coloca em risco a aliança formada no fim da Segunda Guerra Mundial para evitar novos confrontos no ocidente.
A Otan tem hoje 32 membros. Uma cláusula do acordo, o artigo cinco, prevê que um ataque a um dos membros exige uma reação por parte de todos os demais. Mas uma agressão de um país da aliança contra o outro, o que até hoje nunca aconteceu, jogaria a organização em território não explorado.
De volta ao objetivo original da reunião, a coalizão dos dispostos quer transformar promessas genéricas para a Ucrânia em compromissos concretos, como um um monitoramento contínuo de um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia e uma resposta, em várias frentes, a qualquer violação por parte da Rússia.
Reunidos em torno do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, os líderes e os representantes americanos concordaram com uma força multinacional formada principalmente por militares franceses e britânicos.
Os Estados Unidos participariam principalmente com apoio de inteligência e logística.
De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.
Venezuela concorda em mandar 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, diz Trump
Governo Trump recua sobre acusação de que Maduro chefiava cartel
Brasil chama prisão de Maduro de 'sequestro' em reunião da OEA
Governo de Maduro enviou ouro no valor de US$ 5,2 bilhões para a Suíça
Veja o que mudou nas regras da aposentadoria em 2026 e como calcular a sua
Ministros Lewandowski e Haddad pedem para deixar o governo Lula
Moraes diz que Bolsonaro não precisa de remoção imediata para hospital
Vazamento faz Petrobras suspender perfuração na Foz do Amazonas