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Um levantamento do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste, do FGV IBRE, revela que Ceará, Alagoas, Paraíba, Amapá e Acre são os estados brasileiros mais vulneráveis ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, segundo adiantou a coluna da jornalista Míriam Leitão no jornal O Globo.
Segundo os pesquisadores, economias menores, mas dependentes de poucos produtos e de um único destino comercial, sofrem impactos proporcionais muito maiores que grandes exportadores com pauta diversificada.
Como o estudo foi feito
O ranking de vulnerabilidade considera três fatores principais:
- percentual da pauta que não foi isento da tarifa;
- grau de exposição ao mercado americano;
- concentração setorial das exportações.
De acordo com José Ataliba, coordenador do centro, a fragilidade desses estados não se mede apenas pelos valores absolutos, mas pela dependência do mercado norte-americano e pela dificuldade de diversificar mercados e produtos.
Estados com maior risco em relação ao tarifaço
Alguns exemplos de concentração mostram a dimensão do problema:
- Ceará: 67% das exportações de ferro e aço atingidas;
- Alagoas: 96,5% da pauta voltada ao açúcar;
- Paraíba: 56,3% também em açúcar;
- Amapá: 65,7% em lácteos;
- Acre: 60,7% em castanha-do-pará.
Essa dependência significa que o impacto das tarifas pode ser severo sobre empresas locais, empregos e arrecadação.
Estados de vulnerabilidade média
Outros estados, como Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Amazonas, foram classificados como de vulnerabilidade intermediária.
O estudo destaca que Paraná e Santa Catarina têm baixa isenção tarifária (4% e 17%, respectivamente), o que deve provocar perdas no curto prazo, mesmo com uma pauta diversificada. Já o Amazonas foi beneficiado por ter 42% das exportações incluídas na lista de exceções, embora siga exposto.
Estados de baixa vulnerabilidade
Na outra ponta, São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão aparecem como os mais resilientes.
- São Paulo: maior exportador absoluto para os EUA (US$ 13,57 bilhões), mas com 44,1% da pauta isenta e forte diversificação.
- Rio de Janeiro: 67,6% das exportações excluídas da sobretaxa, além de produtos de maior valor agregado.
- Maranhão: o estado mais protegido, com 90,9% das vendas ao mercado americano livres da tarifa.
O estudo ressalta ainda que estados cuja dependência das exportações aos EUA é inferior a 5% da pauta, como Tocantins, Rondônia, Roraima, Piauí, DF, Goiás, Mato Grosso e Pará, ficaram de fora da análise.
Próximos passos
O ranking busca orientar políticas públicas no âmbito do Plano Brasil Soberano, indicando onde medidas emergenciais — como crédito, seguro às exportações e apoio logístico — precisam ser mais concentradas.
O relatório completo será debatido nesta quarta-feira (27), no evento online “O tarifaço de Trump e o Plano Brasil Soberano: reflexos nos estados do Nordeste comparados às demais regiões”, com a participação de José Ataliba, Thiago Freitas e Lia Valls, do FGV IBRE.