
Saber que existem regiões no Brasil –e no mundo –que foram devastadas, mas ainda assim possuem alto potencial de regeneração natural, é um grande alívio. Primeiro porque se trata de uma das técnicas mais baratas de restaurar a biodiversidade e, portanto, mais acessíveis aos países que possuem esse estoque. No território nacional, o total de glebas disponíveis para esse fim equivalem a um estado da Bahia, que corresponde a um quarto da fatia de todas as áreas com essa vocação espalhadas no globo. O levantamento é o resultado de um estudo realizado por 19 cientistas sobre o potencial natural de regeneração de regiões tropicais, publicado nesta quarta-feira, 30, na revista científica Nature.
“Plantar árvores em terras degradadas exige um orçamento alto”, diz a autora do estudo Brook Willians, da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. O processo de regeneração natural é uma técnica mista, de plantio ativo e passivo, que exigem intervenções para eliminar barreiras e ameaças, como plantas invasoras, para garantir o crescimento da vegetação nativa. Além do Brasil, México, Indonésia, China e Colômbia possuem regiões de florestas devastadas com potencial de restauração natural.
O estudo não se resume ao levantamento geográfico, o que já seria muito, mas também apresenta a análise do impacto nas estratégias pirara atingir as metas do Acordo de Paris, que limita o aquecimento em 1,5 graus. Se restauradas, essas áreas em todo o planeta poderiam sequestrar até 23 gigas toneladas de carbono apenas na biomassa acima do solo ao longo de 30 anos – quase metade das emissões anuais de gases de efeito estufa do mundo e o equivalente a mais de três anos de remoções brutas de carbono por florestas tropicais e subtropicais primárias e secundárias globalmente.
O impacto seria ainda maior. Na avaliação da Conservação Internacional Brasil (CIB), entidade que promove a preservação com políticas e parcerias, o estudo não considera o potencial de sequestro de carbono pela biomassa subterrânea –por ano, algo em torno a uma giga tonelada.
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Estudos mostram que soluções baseadas na conservação, proteção e restauração têm a capacidade de mitigar em até 30% o aquecimento global. Os esforços nesse sentido muitas vezes precisam da participação da iniciativa privada. Essa semana, a Timberland Investiment Group, uma das maiores gestoras de investimentos florestais, do banco BTG Pactual, anunciou parceria com a CIB para projetos de reflorestamento na América Latina. A empresa tem o objetivo de comprar terras devastadas para restabelecê-las. E agora com a publicação do estudo de Brook, já tem o mapa de onde pode começas a procurar.
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