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Estudo coordenado pela USP aponta que médiuns têm alterações genéticas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/02/2025 às 15:05 · Atualizado há 5 dias
Estudo coordenado pela USP aponta que médiuns têm alterações genéticas
Foto: Reprodução / Arquivo

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Juiz de Fora e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul aponta que os médiuns têm alterações genéticas. Essas características, segundo o estudo, podem, supostamente, permitir que essas pessoas percebam aspectos da realidade que a maioria das pessoas não percebe. A pesquisa foi publicada pela revista Brazilian Journal of Psychiatry.

Realizado entre 2020 e 2021, o estudo comparou 54 pessoas identificadas como médiuns com 53 parentes de primeiro grau delas, sem nenhuma habilidade do tipo. A maioria dos médiuns eram adeptos da Umbanda ou do Espiritismo.

Em um questionário da pesquisa, 92,7% dos participantes reconheceram falar sob a influência de espíritos, 70,9% disseram se comunicar por escrito. Outros 52,7% disseram ter visto espíritos; 50,9%, ter entrado em incorporação; 47,3%, ter tido experiência fora do corpo.

“O estudo desvendou alguns genes que estão presentes em médiuns, mas não em pessoas que não o são e têm o mesmo background cultural, nutritivo e religioso… Isso significa que alguns desses genes poderiam estar ligados ao dom da mediunidade”, diz o coordenador da pesquisa, Wagner Farid Gattaz, professor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Pesquisa foi realizada entre 2020 e 2021 e comparou 54 pessoas identificadas como médiuns com 53 parentes de primeiro grau delas.

O estudo e a glândula pineal

Os resultados da pesquisa revelaram quase 16 mil variantes genéticas encontradas exclusivamente em médiuns. De acordo com o estudo, essas variantes provavelmente impactam a função de 7.269 genes.

“Esses genes estão em grande parte ligados ao sistema imune e inflamatório. Um deles, de maneira interessante, está ligado à glândula pineal, que foi tida por muitos filósofos e pesquisadores do passado como a glândula responsável pela conexão entre o cérebro e a mente”, afirma o coordenador da pesquisa.

Os pesquisadores analisaram, ainda, o exoma dos voluntários, que contém os genes codificadores das proteínas.

Inicialmente, os pesquisadores acharam diferenças entre os genes encontrados entre 54 médiuns e seus 53 parentes de primeiro grau que não tinham o dom. Após a análise desse grupo, foi feita uma comparação entre os genes dos 54 e outros 12 médiuns independentes, ou seja, que não faziam parte do grupo de controle.

Em 11 dos 12 indivíduos foram encontrados os mesmos genes mutáveis do grupo principal, representando 1.574 mutações de 834 genes. A análise também foi feita em um par composto por gêmeos idênticos médiuns. Neste caso, foram encontradas 434 mutações identificadas em 230 genes. Um irmão deles também foi analisado, e as mutações não foram encontradas.

Coautor do estudo e diretor do Nupes (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde), da Universidade Federal de Juiz de Fora, Alexander Moreira-Almeida justifica a opção por contrastar os médiuns com seus familiares. “Se eu pegasse um grupo de controle que fosse uma outra pessoa qualquer, aleatória, poderia ter muita diferença sociocultural, econômica e também da própria genética. Quando a gente pega um parente, vai ter uma genética muito mais parecida e um background sociocultural muito mais próximo”, explica.

 

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