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Em visita de Lula, moradores da Favela do Moinho denunciam ações violentas da PM de São Paulo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 27/06/2025 às 13:34 · Atualizado há 6 dias
Em visita de Lula, moradores da Favela do Moinho denunciam ações violentas da PM de São Paulo
Foto: Reprodução / Arquivo

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Por Gabriel Gomes

Em visita de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Favela do Moinho, no Centro de São Paulo, nesta quinta-feira (26), lideranças da comunidade denunciaram ao presidente ações violentas da Polícia Militar do estado, comandada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), contra moradores, atingindo crianças e idosos. Lula foi ao Moinho para anunciar e assinar uma solução habitacional para as cerca de 900 pessoas que vivem na região.

Uma liderança da comunidade, identificada como Flávia da Silva, relatou ao presidente invasões de domicílios, repressão a crianças e idosos, e abordagens arbitrárias da Polícia Militar de São Paulo. “Seu presidente, uma criança de 6 meses é traficante? Uma criança de 6 meses fala? Ela merece tomar gás de pimenta na cara ao ponto de ir desacordada para o hospital? Foi quando a gente começou a levantar pedras e pau na mão para tirar os policiais daqui de dentro”, contou.

“A segunda luta foi quando eles fizeram a mesma coisa com uma senhora idosa, chamada Josefa, que mal andava. Ela tomou chute e tapa na cara. A gente ficou preso dentro de uma creche, pedindo socorro para eles pararem de mandar bombas e tiros”, completou.

Após conversa com Lula, Flávia discursou e reforçou as denúncias durante o evento de anúncio do programa habitacional para os moradores da Favela do Moinho. Um dos dias de maior repressão, segundo a líder comunitária, foi a Sexta-Feira Santa, em 18 de abril deste ano. “Temos que falar da repressão policial que a gente passou aqui, a tortura com os moradores, a opressão da Polícia Militar”.

“A Polícia que o Tarcísio (de Freitas) mandou para nós não foi para ter diálogo, mas sim para repressão. Temos histórico de moradores com bala de borracha, cassetetes, crianças na creche tomando bomba, idosos sendo atropelados, o que para nós foi uma vergonha porque nós ensinamos as crianças que a PM para nos proteger, não nos agredir e nos tratar como traficante”.

Lula criticou atuação do governo Tarcísio

Em discurso na Favela do Moinho, Lula fez referência aos episódios de violência policial na comunidade e de pressão para que as famílias assinassem acordos de moradia insuficientes. “A gente resolveu fazer reparação e justiça com vocês. Eles não tratam vocês como mulheres e homens trabalhadores que querem o direito de viver felizes, ter uma casa razoável para morar e viver com a cabeça erguida nesse pais”, disse Lula.

Antes do ato de assinatura da portaria, Lula visitou algumas casas e conversou com moradores. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Lula criticou a atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que não compareceu ao ato. “O governador foi convidado para vir aqui, porque todo lugar que eu vou, convido o governador”, disse.

Visita de Lula

A presença de Lula na comunidade foi recebida como uma vitória por lideranças comunitárias e movimentos de moradia. O governo firmou um acordo que visa garantir realocação digna às famílias, que receberão R$ 180 mil do governo federal e R$ 70 mil do estadual para aquisição de imóveis em outras regiões.

“Hoje esse dia é histórico para a comunidade do Moinho porque ao invés de a gente tomar tapa, bomba e tiro, estamos recebendo o presidente da República nos dando a nossa casa”, comemorou a líder comunitária Flávia.

Lula com crianças da Favela do Moinho, em São Paulo.

O plano original da comunidade era permanecer no terreno, mas a cessão de uso do espaço, conquistada ainda nos anos 2000, foi revogada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e não pôde ser mantida.

O governo federal determinou ainda que a cessão da área do Moinho ao estado de São Paulo terá duração inicial de 20 anos, prorrogável, e que o governo estadual terá o prazo de dois anos para implantar o parque planejado. Caso o local seja utilizado para fins diferentes dos acordados entre as partes, a cessão poderá ser revertida.

A demolição de moradias na Favela do Moinho ocorre em meio ao plano de Tarcísio de Freitas de transferir parte da sede administrativa do governo para o Centro. A comunidade está localizada a menos de um quilômetro da Praça Princesa Isabel, para onde a estrutura estadual será levada. Um dos possíveis destinos do terreno onde está o Moinho, última favela do Centro de São Paulo, é a criação de um parque e de uma estação de trem. A intensificação das operações, segundo os moradores, ocorreu após o projeto se concretizar.

O que diz a Secretaria de Segurança de São Paulo?

O ICL Notícias procurou a Secretaria de Segurança de São Paulo para questionar sobre as denúncias dos moradores da Favela do Moinho. Em nota, a Secretaria afirmou que “a presença da PM na região citada teve como objetivo garantir a segurança dos servidores estaduais ao longo do processo voluntário de reassentamento, bem como o direito de ir e vir da população”. Leia a nota:

“A Polícia Militar é uma instituição legalista, que não tolera excessos ou desvios de conduta. A presença da PM na região citada teve como objetivo garantir a segurança dos servidores estaduais ao longo do processo voluntário de reassentamento, bem como o direito de ir e vir da população. A Corregedoria da Polícia Militar está à disposição para formalizar a apurar toda e qualquer denúncia contra os PMs”. 

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