Depois de capturar Nicolás Maduro, Donald Trump ameaça o presidente da Colômbia
O presidente dos Estados Unidos renovou as ameaças à Colômbia. O presidente Gustavo Petro reagiu. Disse que não é ilegítimo nem traficante. A reportagem é dos enviados especiais Alex Carvalho, Carolina Cimenti e Luigi Sofio.
Este é o nosso hemisfério e o presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada
— Na tarde desta segunda-feira (5), o Departamento de Estado americano publicou nas redes sociais:
Na noite de domingo (4), a bordo do avião presidencial, Donald Trump ameaçou:
Gustavo Petro negou as acusações do presidente americano, de que estaria envolvido com o narcotráfico. E destacou que o governo e as forças armadas da Colômbia estão empenhados no combate à fabricação e ao comércio de cocaína.
Donald Trump e Gustavo Petro têm uma relação conturbada desde o começo do segundo mandato do presidente americano, há quase um ano, quando o colombiano impediu a chegada de voos à Colômbia com imigrantes deportados – e foi alvo de sanções por isso.
A situação piorou no segundo semestre de 2025. Petro teve o visto americano cancelado depois de dizer que militares dos Estados Unidos deveriam desobedecer às ordens do Pentágono...
A crise se agravou com os bombardeios americanos a embarcações no Caribe. Ataques feitos sob a alegação de que os barcos levavam drogas da Venezuela para os Estados Unidos. Os bombardeios atingiram pelo menos uma embarcação colombiana. Um pescador morreu - o que gerou fortes críticas do presidente colombiano.
Sem apresentar provas, Trump vem acusando Petro de ligações com o narcotráfico. O mandato do colombiano está próximo do fim – a Colômbia terá eleições presidenciais em maio de 2026. E a constituição impede que o atual presidente dispute um segundo mandato. O próximo governante deve tomar posse em agosto.
Distante das salas oficiais e das mensagens do governo está o povo da Colômbia. Que viveu durante décadas com guerrilhas e uma economia estagnada. E que agora vive no país com uma das economias que mais crescem no continente.
No centro de Cúcuta, cidade colombiana na fronteira com a Venezuela, os moradores tentam entender as notícias que colocaram os dois países no centro do mundo.
Conheço muitas pessoas que sofreram demais
— A colombiana Emilce disse que está com um pouco de medo e que teme pela segurança do povo. Maurício espera que as coisas melhorem para os venezuelanos. , disse ele.
Na Venezuela, o novo governo envia sinais aparentemente contraditórios. Nesta segunda-feira (5), a vice de Nicolás Maduro, Delcy Rodriguez, tomou posse como presidente interina. No discurso, voltou a considerar a agressão militar que chamou de ilegítima dos Estados Unidos. E lamentou o que descreveu como o sequestro de dois heróis, numa referência à captura de Maduro e da esposa.
Priorizamos alcançar relações equilibradas e respeitosas com os Estados Unidos. Convidamos o governo americano a colaborar com uma agenda de desenvolvimento compartilhado
— Na noite desta segunda-feira (4), ela tinha publicado uma mensagem mais diplomática para o governo americano. Evitou pedir a libertação do ditador, como tinha feito no sábado. E afirmou: .
Tons diferentes para públicos diferentes. Dessa forma, Delcy evita novas tensões com Donald Trump enquanto consolida em casa o apoio do chavismo.
O filho de Nicolás Maduro, afirmou hoje: "o país está em boas mãos".
No congresso venezuelano, o irmão de Delcy - Jorge Rodríguez - foi reeleito presidente do legislativo e o governo mandou a polícia prender quem colaborou com as forças americanas na captura de maduro.
Nas ruas de Caracas, a população tenta voltar à normalidade, com lojas abertas, filas e café da manhã na rua. Mas o reforço na segurança lembra que há poucos dias o país foi atacado.
Donald Trump ameaça o presidente da Colômbia — Foto: Reprodução/TV Globo
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O prefeito da capital afirmou, no entanto, que, caso haja deslocamento, a cidade receberá todos com carinho.
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