A defesa de Jair Bolsonaro, representada pelo advogado Paulo Amador Bueno, disse que é “crível” que o ex-presidente tenha sido abordado por aliados com propostas de golpe de Estado.
Segundo Bueno, Bolsonaro não aderiu à trama golpista.
— É crível que as pessoas o abordassem com todo tipo de proposta. E é fato que ele não aderiu a elas — disse Amador Bueno.
Para a PF, no entanto, Bolsonaro atuou diretamente na ofensiva antidemocrática. Ele foi indiciado ao lado de 36 pessoas por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do estado democrático de direito e organização criminosa.
Questionado se os comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, mentiram em seus depoimentos na PF nos quais relatam que Bolsonaro lhes apresentou uma minuta golpista, o advogado diz que não, mas nega o teor do documento:
— Eles conversaram, assim como os ministros, diversas vezes com o presidente, mas nunca foi tratado de algum movimento golpista — disse o defensor. — Nunca foi tratado de algum movimento golpista. O que se falou principalmente, vou até afunilar nisso num ponto, teria sido uma discussão sobre aplicação do estado de defesa.
Militares do entorno de Bolsonaro dominam a relação de indiciados pela PF em relatório sobre tentativa de golpe no país – Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República
‘Bolsonaro desconhecia planos’
Bueno disse que Bolsonaro desconhecia os planos golpistas que previam a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice, Geraldo Alckmin, e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O advogado citou que, segundo a PF, esses planos foram encontrados com militares de baixo escalão na hierarquia do Exército.
— O presidente acha uma maluquice esse plano. Jamais participaria de uma coisa desse tipo.
O advogado ainda ressaltou que um dos documentos apreendidos previa a criação de um “Gabinete Institucional de Gestão da Crise”, que seria formado pelo ministro Augusto Heleno e pelo ex-ministro Walter Braga Netto, e não pelo presidente.
— Quem seria beneficiado seria uma junta que seria criada após a ação, Operação Punha Verde Amarelo. E nessa junta não estava incluído o presidente Bolsonaro.