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Como Santo André (SP) se tornou exemplo de alfabetização no Brasil

A cidade de Santo André, no ABC Paulista, conquistou recentemente etapa estadual do Prêmio de Boas Práticas do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, tor...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2026 às 13:51 · Atualizado há 3 dias
Como Santo André (SP) se tornou exemplo de alfabetização no Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

A cidade de Santo André, no ABC Paulista, conquistou recentemente etapa estadual do Prêmio de Boas Práticas do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, tornando-se um dos municípios que melhor estruturaram políticas de gestão, monitoramento e alfabetização na primeira infância.

O resultado tem provocado repercussão entre gestores de outros estados: a cidade transformou planejamento estratégico em política pública capaz de alterar, em poucos anos, a curva de aprendizagem de toda a rede.

Em um cenário nacional marcado por desafios persistentes - desigualdades entre territórios, queda da proficiência pós-pandemia e dificuldade de consolidar processos de alfabetização até o 2º ano - a cidade paulista de quase 750 mil habitantes surge como exceção.

E não pela adoção de uma ação isolada, mas por articular um sistema de gestão educacional que integra diagnóstico contínuo, metas por escola e por turma, avaliação municipal alinhada ao Saresp, formação continuada em serviço e instrumentos padronizados de acompanhamento da aprendizagem.

Quando uma rede educacional toma decisões orientadas por evidências, o resultado deixa de ser eventual e se torna estrutural. Isso mostra que planejamento e monitoramento contínuo não só elevam indicadores como são capazes de mudar a aprendizagem de uma geração

— afirma o prefeito Gilvan Ferreira.

Com 65 escolas e cerca de 20 mil estudantes dos anos iniciais, a rede passou a operar com uma linguagem comum entre unidades e a organizar decisões a partir de dados.

Para especialistas que acompanham o avanço dos municípios no programa Criança Alfabetizada, o diferencial de Santo André está na combinação rara de governança, método e continuidade - três fatores que, juntos, costumam determinar o sucesso ou o fracasso de políticas de alfabetização no Brasil.

A cidade venceu primeiro a etapa de seu polo — que reúne parte dos 645 municípios paulistas e, depois foi considerada a melhor iniciativa do estado justamente por apresentar aquilo que os avaliadores consideram o “padrão-ouro” da política pública: monitoramento sistêmico, gestão orientada para resultados e capacidade de corrigir trajetórias rapidamente.

Além disso, o município investiu em infraestrutura pedagógica, como o acervo literário, tecnologia educacional, formações continuadas e processos de supervisão ativa, permitindo que professores tivessem condições reais de intervir nas dificuldades de aprendizagem ainda nos primeiros meses do ano letivo.

O modelo, agora premiado, deve entrar no radar de outras capitais e cidades médias que buscam recuperar perdas pós-pandemia e acelerar a alfabetização. Nacionalmente, o tema ganha tração porque o governo federal ampliou metas e incentivos financeiros para municípios que demonstram capacidade de monitorar e melhorar seus indicadores de aprendizagem.

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