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Comissão de Ética da Presidência instaura processo contra Augusto Heleno

A Comissão de Ética da Presidência da República encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal), nesta sexta-feira (9), um processo de apuração ética contra o e...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 21:01 · Atualizado há 1 semana
Comissão de Ética da Presidência instaura processo contra Augusto Heleno
Foto: Reprodução / Arquivo

A Comissão de Ética da Presidência da República encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal), nesta sexta-feira (9), um processo de apuração ética contra o ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno.

A investigação tem como base falas feitas em 2022 que indicam possível uso indevido da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e desrespeito às instituições democráticas. O processo foi aberto por unanimidade no dia 15 de dezembro do ano passado.

A fala investigada ocorreu em 5 de julho de 2022, durante uma reunião com o então presidente Jair Bolsonaro (PL). O encontro foi registrado em vídeo e posteriormente divulgado nas redes sociais.

Também participaram da reunião os ex-ministros Anderson Torres, da Justiça e Segurança Pública, e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, da Defesa.

Durante o encontro, o general mencionou a possibilidade de uso da Abin para interferir no processo eleitoral.

O problema todo disso é se vazar qualquer coisa (inaudível), qualquer acusação de infiltração desse elemento da Abin em qualquer lugar

— disse Heleno na ocasião.

À época, Bolsonaro levantava suspeitas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e a integridade do processo eleitoral brasileiro.

As declarações de Augusto Heleno ocorreram após o ex-presidente fazer acusações contra o candidato e hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Não vai ter segunda chamada da eleição; não vai ter revisão do VAR [árbitro de vídeo]. Então, o que tiver que ser feito, tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa, é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições

— afirmou o general, segundo a transcrição do documento.

Acho que as coisas têm que ser feitas antes das eleições

— disse ainda. "E vai chegar um ponto em que nós não vamos poder mais falar, nós vamos ter que agir: agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas", prosseguiu.

Segundo a Comissão de Ética, foram feitas diversas tentativas de notificação para que Augusto Heleno apresentasse esclarecimentos, por e-mail e por ofício enviado pelos Correios.

averiguar o cometimento de possíveis infrações previstas no arcabouço ético

— No documento encaminhado ao STF, a Comissão afirma que a apuração ocorre a fim de .

suposta conversa do interessado com o então Diretor-Adjunto da Abin, para que agentes fossem 'infiltrados' em campanhas eleitorais, com a finalidade de fiscalizar e, seguindo as palavras do interessado, 'agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas'

— As manifestações indicam , afirmou o colegiado.

Com a decisão, o conselheiro relator do caso, Manoel Caetano Ferreira Filho, intimou Augusto Heleno a apresentar defesa no prazo de até dez dias úteis.

Heleno está cumprindo a pena definida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de 21 anos por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Em dezembro do ano passado, o militar passou a cumprir prisão domiciliar após a defesa informar que Heleno possui diagnóstico de Alzheimer.

A CNN Brasil entrou em contato com a defesa do general e aguarda posicionamento.

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