A chacina eleitoreira do governador Cláudio Castro, os rascunhos desastrados do capitão Guilherme Derrite em procura de um projeto que o eleja, o populismo sevo dos governadores do tal Consórcio do Silêncio… Haja!
O festival de inutilidades e exibicionismos da extrema direita me levou direto à série brasileira “Bandidos na TV”, dirigida por Daniel Bogado, sucesso insólito da Netflix no mundo inteiro com o título “Killer Ratings”.
Repare no enredo.
A série de sete episódios conta a vida & obra de um apresentador policialesco e sensacionalista de televisão que planeja e encomenda mortes de pessoas para aumentar a audiência do seu próprio programa de televisão.
Imagina só. Depois de encontrar, com exclusividade, os cadáveres, o apresentador atribuía os crimes a gangues “terroristas” e organizações criminosas.
Histórias espetaculares para uma audiência sem limite.
Parece uma sinopse exagerada, mas essa história real aconteceu em Manaus, capital do Amazonas, em 2009. O varão réu de tramar tudo isso era o ex-policial e político Wallace Souza (PL), deputado estadual por três mandatos, notoriedade do “Via Livre”, a atração televisiva da TV Rio Preto.
Padroeiro eufórico da pena de morte e da tese do “bandido bom é bandido morto”, Souza pregava a eliminação urgente dos fora-da-lei e era festejado porquê herói no setentrião do Brasil. Terminou a curso indigitado porquê líder de quadrilha. O responsável da denúncia foi um ex-comparsa, o também ex-policial Moacir Jorge, o Moa, recluso por tráfico de drogas.
De tão espetacular, a vida de Wallace Souza acabou virando a série da Netflix, em 2019.
“O Via Livre, na verdade, era uma grande frontispício. Eles tinham entrada a informações e chegavam primeiro ao lugar, justamente porque eles que cometiam esses crimes. Eles tinham essa preocupação diária com altos índices de audiência. E pra ter audiência, zero melhor do que ter o delito em primeira mão. É uma coisa surreal provocar mortes para ter audiência”, afirma o solicitador Divanilson Cavalcanti, em um dos episódios de “Bandidos na tv”.
O deputado e apresentador atribuía as acusações a perseguições políticas dos seus inimigos. “É tudo uma grande armação”, repetia. Depois de ter o procuração de parlamentar cassado na Plenário Legislativa de Manaus, o político foi recluso.
Com Síndrome Budd Chiari, doença que ataca o fígado, Wallace Souza morreu em 27 de julho de 2010, no Hospital Bandeirantes, em São Paulo. Tapume de 5 milénio fãs compareceram ao enterro em Manaus, em uma cena final tão espetacular porquê toda a trajetória do político midiático que apresentava soluções diárias para resolver o problema da segurança pública no Brasil.
Qualquer semelhança com os Derrites da vida terá sido mera coincidência.