A Cáritas Brasileira suspendeu temporariamente, nesta terça-feira (6), os serviços gratuitos a migrantes.
Organização mantinha três espaços de atendimento e todos foram fechados.
A paralisação começou no dia 31 de dezembro; previsão é que serviço volte a funcionar na segunda-feira (13)
Cáritas suspende temporariamente de água e higiene para migrantes em Roraima
A Cáritas Brasileira informou nesta terça-feira (6) que suspendeu temporariamente os serviços do projeto de água potável, saneamento e higiene para migrantes em Roraima após o encerramento de contratos com dois financiadores internacionais. A organização, ligada à Igreja Católica, mantinha três espaços de atendimento: três em Boa Vista e outro em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Todos foram fechados.
A paralisação começou no dia 31 de dezembro e impactou diretamente o funcionamento do Projeto Orinoco, que oferece serviços a pessoas em situação de vulnerabilidade. A iniciativa era financiada por um parceiro ligado ao governo dos Estados Unidos e outro à União Europeia.
A suspensão ocorre em um momento de agravamento da crise na Venezuela, após ataques do presidente dos Estados Unidos Donald Trump e captura do ditador Nicolás Maduro na ofensiva militar americana.
Segundo a Cáritas, a suspensão gera preocupação diante do cenário atual na fronteira e do aumento da vulnerabilidade da população migrante. A expectativa, no entanto, é de retomada dos atendimentos na próxima segunda-feira (12), após a organização receber uma doação emergencial de outro financiador.
Desde 2018 o Exército mantém uma operação de acolhida aos venezuelanos na fronteira — Foto: Caíque Rodrigues
A organização informou ainda que mantém diálogo com autoridades brasileiras, com o governo federal e com outras agências e financiadores internacionais para garantir a continuidade do projeto.
A gente continua em diálogo com o governo federal do Brasil e com outras agências e financiadores de outros países para tentar retomar o serviço, que para nós é muito importante, sobretudo pelo contexto que se instala neste momento na situação da Venezuela
— destacou Leal.
O projeto de água, saneamento e higiene é considerado essencial no atendimento humanitário, especialmente por contribuir para a prevenção de doenças e para a garantia de condições mínimas de dignidade a migrantes e refugiados que chegam ao estado.
O cenário deste ano é semelhante ao registrado em janeiro do ano passado, quando unidades da Cáritas em Boa Vista e Pacaraima tiveram os serviços suspensos após Trump determinar o corte de repasses destinados à ajuda humanitária.
À época, foram interrompidos atendimentos gratuitos de higiene pessoal, como uso de banheiros, duchas, fraldários, lavanderia e acesso à água potável, utilizados diariamente por migrantes em situação de rua na fronteira com a Venezuela.
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