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Câmara dos EUA aprova pacote tributário de Trump

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 22/05/2025 às 09:50 · Atualizado há 15 horas
Câmara dos EUA aprova pacote tributário de Trump
Foto: Reprodução / Arquivo

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A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (22) um amplo pacote de cortes de impostos proposto pelo ex-presidente e pré-candidato republicano Donald Trump, reacendendo o debate sobre responsabilidade fiscal em meio ao agravamento da dívida pública americana.

O projeto, batizado de One Big Beautiful Bill Act (“Lei de Um Grande e Belo Projeto”, na tradução livre) — nomeado pelos aliados de Trump em alusão a uma de suas frases de campanha — agora segue para votação no Senado, de maioria republicana.

Com mais de mil páginas, a proposta legislativa busca tornar permanentes os cortes de impostos de renda individual e sobre herança aprovados durante o primeiro mandato de Trump, em 2017. Além disso, inclui novas isenções prometidas em sua campanha à reeleição em 2024, como a desoneração de gorjetas, horas extras e juros de alguns empréstimos automotivos.

Contrapartidas controversas de Trump

Para mitigar parcialmente o impacto na arrecadação, estimado em cerca de US$ 3,8 trilhões na próxima década, o projeto prevê a revogação de subsídios à energia verde implementados pelo governo Joe Biden e o endurecimento dos critérios de acesso a programas sociais, como os de saúde e alimentação.

Apesar das medidas compensatórias, o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) alertou que o pacote pode ampliar significativamente a dívida federal, que atualmente supera US$ 36 trilhões, o equivalente a 124% do PIB americano. A votação foi apertada: 215 votos a favor e 214 contra, com todos os democratas e dois republicanos se opondo à proposta após intensos debates na Casa.

Pressão sobre a solvência dos EUA

A aprovação ocorre em meio ao aumento das preocupações com a sustentabilidade fiscal dos EUA. A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota máxima de crédito do país na semana passada, citando justamente o desequilíbrio estrutural entre receitas e despesas.

Segundo dados do CBO, os pagamentos de juros já representam 1 em cada 8 dólares gastos pelo governo americano — superando os desembolsos com defesa nacional. A projeção é que essa proporção suba para 1 em cada 6 dólares na próxima década, mesmo sem considerar os efeitos adicionais do novo pacote tributário.

Reação dos mercados

As medidas propostas também têm repercutido negativamente entre investidores globais. A crescente desconfiança em relação à saúde fiscal dos EUA, somada à retórica protecionista de Trump sobre tarifas e comércio, vem pressionando o dólar e reduzindo o apetite por ativos americanos — uma base tradicional do sistema financeiro global.

A proposta ainda precisa ser aprovada no Senado antes de ser sancionada por Trump, caso ele retorne à Casa Branca. A disputa, no entanto, já antecipa parte dos embates que deverão dominar o debate fiscal na corrida presidencial de 2024.

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