Publicidade
Capa / Brasil

Brasil prevê ‘jogo pesado’ da extrema direita dos EUA para impedir reeleição de Lula

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 15:21 · Atualizado há 4 dias
Brasil prevê ‘jogo pesado’ da extrema direita dos EUA para impedir reeleição de Lula
Foto: Reprodução / Arquivo

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

2026 começa com duas prioridades para o Brasil. A primeira é agir para estabilizar a Venezuela, diante do risco de uma guerra civil nas fronteiras do país.

A segunda é construir uma “agenda positiva” com a Casa Branca. A meta é impedir uma ofensiva da extrema direita do país para retomar uma aliança com Donald Trump para interferir nas eleições de 2026.

Palácio do Planalto ainda acredita que a tentativa da extrema direita dos EUA de impedir a reeleição de Lula será “pesada” em 2026 e que os ataques contra a economia nacional nos últimos meses mostraram o que são capazes de fazer.

A proposta de um cronograma de temas comerciais é uma das apostas de Brasília, dando uma sinalização para Washington que uma relação “madura” traria mais ganhos para os EUA que a ingerência no pleito no final do ano no país.

O governo acredita que o bolsonarismo irá buscar formas de envolver Trump na eleição. Mas ainda que o presidente americano não se manifeste e apoie abertamente um candidato, não se descarta que entidades ultraconservadoras atuem nos bastidores para ajudar movimentos reacionários do Brasil.

Brasília admite que a invasão da Venezuela é um divisor de águas na região e há uma consciência de que o bolsonarismo vai tentar usar a crise para colar a imagem em Lula de que haveria uma cumplicidade do governo brasileiro com o chavismo.

Mas governo vê dificuldades que aliados de Jair Bolsonaro tenham êxito. O regime bolivariano continua, Maria Corina Machado est fora de jogo, por enquanto, e o Planalto insiste que não chancelou Maduro em suas violações.

O Planalto ainda espera que Lula e Trump possam se encontrar em 2026, principalmente diante da boa relação que os dois tiveram nas conversas.

Para o governo, isso pode ser uma “vacina” contra eventuais vozes mais radicais dentro do governo Trump que possam ainda dar ouvidos aos bolsonaristas. A neutralização desses atores seria fundamental na estratégia do Planalto.

A postura do Brasil, porém, não será a de abrir mão de suas críticas sobre a ação de Trump na Venezuela. Mas isso não será usado para contaminar a relação mais ampla entre Brasília e Washington.

O Planalto indicou que vai continuar a insistir que não haja um segundo ataque e considera que a diplomacia americana sabe a postura contraria do Brasil à ingerência.

Lula ainda vai agir para garantir que possa haver um espaço para que a queda de Nicolas Maduro não se transforme em um vácuo de poder. Com 20 milhões de habitantes na Venezuela numa fronteira de 2 mil quilômetros com o Brasil, a estabilização do país passou a ser um foco da atuação do Itamaraty.

Ministro da Casa Civil critica interferências externas em meio à polêmica com o TCU

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade