Wellton Supremo – Repórter da Escritório Brasil
Pressionado por novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência, o lucro do Banco do Brasil (BB) caiu no terceiro trimestre. De julho a setembro, a instituição financeira teve lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, queda de 60,2% em relação ao mesmo período do ano pretérito, segundo balanço divulgado na noite desta quarta-feira (12) pela instituição.
Nos nove primeiros meses do ano, o BB lucrou R$ 14,943 bilhões, recuo de 47,2% em relação ao mesmo período de 2024. Em todo o ano pretérito, o banco teve lucro recorde de R$ 37,9 bilhões.
Na conferência com o terceiro trimestre deste ano, o lucro ficou inabalável. De abril a junho, a instituição financeira lucrou R$ 3,784 bilhões.
Em nota, o BB destacou que a geração de receitas está aumentando, apesar das pressões provocadas pela inadimplência. Segundo o banco, o Programa Crédito do Trabalhador, que unifica a contratação de crédito consignado de trabalhadores de empresas privadas.
“O propagação da margem [financeira bruta] no trimestre foi espezinhado principalmente em negócios com clientes, com destaque para as receitas com operações de crédito, influenciadas positivamente pelo desempenho no Crédito do Trabalhador, que contribui para a melhoria de mix e do retorno ajustado ao risco, além da boa gestão da liquidez”, informou o BB.
Em janeiro, entrou em vigor uma solução do Juízo Monetário Vernáculo (CMN) que alterou a contabilidade das instituições financeiras interferiu no resultado. Aprovadas em 2021, as novas regras só entraram em vigor neste ano.
A solução muda o padrão de provisões (reservas financeiras para tapar possíveis calotes) para perda esperada, feita com base em estimativas. Isso afetou a maneira porquê algumas despesas e receitas são reconhecidas.
Pelas novas regras, o reconhecimento das receitas de juros das operações consideradas estágio 3 (com atrasos supra de 90 dias) pelo regime de caixa fez com que o banco deixasse de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito. O regime de caixa só permite o reconhecimento de receitas quando o verba efetivamente entra no caixa da instituição financeira.
Inadimplência no agro pressionou Banco do Brasil
O índice de inadimplência, que considera atrasos de mais de 90 dias, subiu para 4,93% no terceiro trimestre, contra 4,21% no terceiro trimestre de 2024 e 3,33% no terceiro trimestre do ano pretérito. O resultado é influenciado principalmente pelo agronegócio, segmento onde o banco lidera na licença de crédito, e na risco de cartões de crédito.
Revisão das projeções
Com a queda no lucro, o BB revisou as projeções para 2025. Os novos números são os seguintes:
- Lucro líquido ajustado: R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões; contra estimativa anterior de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões.
- Dispêndio do crédito (perdas esperadas com inadimplência e outros riscos): R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões; conta estimativa anterior de R$ 53 bilhões a R$ 56 bilhões;
Desenvolvimento do crédito
Com o aumento dos juros, o BB emprestou menos no terceiro trimestre, puxado principalmente pela retração no crédito às empresas. A carteira de crédito ampliada encerrou setembro em R$ 1,279 trilhão, queda de 1,2% no trimestre, mas subida de 7,5% em 12 meses.
Na distribuição por segmentos de crédito, os resultados foram os seguintes:
- Pessoa Física: R$ 350,51 bilhões no término de setembro, subida de 2,3% no trimestre e de 7,5% em um ano, com destaque para a novidade modalidade de crédito consignado para CLT, talhado a trabalhadores da iniciativa privada, com R$ 9,2 bilhões emprestados.
- Pessoa Jurídica: R$ 452,97 bilhões, queda 3,2% no trimestre, mas subida de 10,4% em um ano. A carteira para grandes empresas totalizou R$ 258,9 bilhões, com redução de 4,6% no trimestre, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas somou R$ 118,5 bilhões, recuo de 2,7% no trimestre.
- Agronegócios: R$ 398,79 bilhões, queda de 1,5% em relação ao trimestre anterior, mas subida de 3,2% em um ano.
- Carteira de Crédito Sustentável: R$ 399 bilhões, financiando atividades que geram impactos sociais e ambientais positivos, com subida de 8% em 12 meses. Essa carteira corresponde a 32,9% do crédito totalidade do banco.
Receitas e despesas
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 8,863 bilhões no terceiro trimestre. O valor representa subida de 1,3% em relação ao trimestre anterior, mas queda de 2,6% em relação a setembro do ano pretérito. Segundo o BB, os destaques na conferência trimestral são as receitas com linhas de gestão de fundos (+7,1%); seguros, previdência e capitalização (+5,8%) e consórcios (+6,3%).
As despesas administrativas totalizaram R$ 9,812 bilhões no terceiro trimestre, subida de 1,4% em relação ao primeiro trimestre e de 4,7% em relação a setembro de 2024. O BB justificou a elevação com base no reajuste salarial de 4,6% em setembro do ano pretérito e nos investimentos em tecnologia, lucidez sintético e cybersegurança.
Dividendos
Em julho, o Banco do Brasil tinha reduzido de 40% para 30% a parcela do lucro distribuídas aos acionistas. Em julho, o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, documento que orienta a realização do Orçamento, reduziu a projeção de dividendos de estatais para 2025 de R$ 43,4 bilhões para R$ 41,9 bilhões.