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O discurso neoliberal tem ganhado força entre setores do mercado financeiro e da elite econômica brasileira, especialmente os ligados à Faria Lima, e um dos maiores representantes desse discurso é o bilionário Elon Musk, que inclusive ganhou um cargo no governo de Donald Trump.
“O discurso é sedutor porque diz que todos somos inteligentes, que trabalhamos duro e que não conquistamos o que merecemos por culpa do sistema: corrupção, Estado inchado, burocracia. Quem negar o apelo disso não entendeu o jogo”, disse o economista e fundador do ICL (Instituto Conhecimento Liberta), Eduardo Moreira.
Durante participação no ICL Notícias 1ª edição desta segunda-feira (19), Moreira avaliou que essa narrativa conquista a população ao se posicionar como a verdadeira defensora da justiça e da eficiência, enquanto na prática avança sobre o patrimônio público e fragiliza políticas sociais.
“É um discurso que captura tudo aquilo que foi construído com o dinheiro de todos, mas que serve aos interesses de quem, de fato, prejudica a vida dos trabalhadores”, completou.
Como símbolo dessa ideologia, o bilionário dono da Tesla e do X (antigo Twitter) tem sido apresentado como um “herói da eficiência estatal”. Em determinado momento, o governo dos Estados Unidos teria, inclusive, criado um departamento que Musk apelidou de “departamento de eficiência do governo”. “Ele prometeu cortar gastos públicos em até US$ 2 trilhões — valor equivalente a cerca de R$ 10 trilhões, quase o PIB brasileiro”, comparou Moreira.
Elon Musk prometeu acabar com “Estado gastador”
“Ele chegou dizendo que ia acabar com a pouca vergonha do Estado gastador. Que ia economizar sozinho um terço do orçamento federal americano”, lembrou Moreira.
No entanto, segundo uma investigação do Financial Times, os resultados foram muito diferentes da promessa inicial.
De acordo com a publicação britânica, Musk anunciou uma economia de US$ 170 bilhões, mas, após análise dos contratos, o valor real teria sido bem menor: cerca de US$ 31,8 bilhões em 10.248 itens. Porém, o Financial Times verificou que apenas 6.700 foram realmente modificados.
E, desse total já bem reduzido, mais de um terço veio do corte de ajudas internacionais para países pobres e em situação de fome, o que, na avaliação de Moreira, não configura um ganho de eficiência, mas um ataque aos mais vulneráveis.
“Ele prometeu US$ 2 trilhões e entregou menos de US$ 20 bilhões, sendo que boa parte disso foi cortando verbas de quem mais precisa. Isso não é eficiência. Isso é crueldade travestida de gestão moderna”, criticou Moreira.
Discurso x prática
A crítica central recai sobre o contraste entre o discurso e a prática. “Ninguém gosta de burocracia. Nem quem mora em Cuba, nem na China, nem em lugar nenhum. Mas eficiência não é destruir o que é público para beneficiar quem já é bilionário”, completou.
Para o fundador do ICL, é fundamental desconstruir o imaginário de que empresários como Elon Musk são exemplos a serem seguidos. “Ele virou o homem mais rico do mundo não por eficiência, mas por se beneficiar de uma máquina de relações e acordos que concentram o poder e o dinheiro em poucas mãos.”
Assista à análise completa de Eduardo Moreira no vídeo abaixo:
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