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Anvisa aprova novo medicamento para fase inicial da doença de Alzheimer

(Folhapress) – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um novo medicamento indicado para tratamento da doença de Alzheimer em estágio ini...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2026 às 20:47 · Atualizado há 18 horas
Anvisa aprova novo medicamento para fase inicial da doença de Alzheimer
Foto: Reprodução / Arquivo

(Folhapress) – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um novo medicamento indicado para tratamento da doença de Alzheimer em estágio inicial e pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL).

Produzido pela empresa japonesa Eisai em parceria com a Biogen, o lecanemabe, vendido como Leqembi, reduz placas de beta-amiloide no cérebro, retardando o declínio cognitivo em pacientes.

O remédio não trata sintomas como perda de memória, desorientação, mudanças na personalidade e no comportamento, mas pode ajudar a retardar a progressão da doença.

A aprovação, publicada em 22 de dezembro, abre caminho para sua comercialização no Brasil, mas com restrições devido a riscos de efeitos colaterais graves e custos elevados no tratamento.

O acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau é considerado o principal fator envolvido na doença de Alzheimer, sendo o foco dos tratamentos mais modernos. Esses tratamentos visam principalmente reduzir as placas de beta-amiloide e de tau no cérebro, que têm papel fundamental no prejuízo das funções cognitivas.

É assim que o lecanemabe funciona. Ele combate o Alzheimer “atacando” as amiloides, o que pode impactar a progressão da proteína tau.

A aprovação do medicamento baseia-se nos dados do estudo global de Fase 3, chamado Clarity AD. A pesquisa envolveu 1.795 pessoas com doença de Alzheimer em estágio inicial, que apresentavam placas beta-amiloides no cérebro e receberam Leqembi ou placebo (grupo controle).

Após 18 meses de tratamento, os pacientes tratados com Leqembi apresentaram um declínio menor de demência do que aqueles que receberam placebo.

É um ganho real de qualidade de vida, porque os pacientes demoram mais para apresentar a piora dos sintomas. E esses ganhos parecem ser melhores quanto mais cedo o paciente começa o tratamento

— afirma Mychael Lourenço, professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O especialista explica que, ao contrário de remédios antigos como donepezila, galantamina, rivastigmina e memantina, que perdem efeito rapidamente, o lecanemabe eoferece benefícios mais duradouros.

Embora não seja a cura, retardar a progressão da doença é uma vantagem em relação a outros medicamentos

— diz.

O lecanemab é o segundo aprovado no Brasil nessa classe. O primeiro foi o Kisunla (donanemab), da Eli Lilly, liberado pela Anvisa em abril de 2025 com funcionamento semelhante para comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados à doença de Alzheimer sintomática inicial.

Nos EUA, o caminho foi inverso: o lecanemab ganhou aval do FDA (Food and Drug Administration, a Anivsa americana) em julho de 2023, seguido pelo donanemab em julho de 2024. Na Europa, o lecanemab foi aprovado pela EMA (Agência Europeia de Medicamentos) em abril de 2025, enquanto o donanemabe foi recusado em março do mesmo ano.

Apesar dos avanços, os dois medicamentos geram debates. Especialistas afirmam que a eficácia clínica constatada nos estudos é modesta e que melhoras clínicas nas pessoas tratadas não são observáveis.

No caso do lecanemabe, os efeitos colaterais são consideráveis, como hemorragia que envolve pequenos sangramentos no cérebro, dor de cabeça e edema, que envolve acúmulo de líquido no cérebro.

Segundo a Anvisa, o tratamento com lecanemabe não deve ser iniciado em pacientes com sangramento e inchaço por líquido no cérebro. O tratamento também não é indicado para quem usa remédios anticoagulantes de forma contínua, que afinam o sangue.

Além disso, o custo elevado pode impedir acesso do remédio no sistema público brasileiro.

“É muito difícil que o lecanemabe seja incorporado no SUS. O custo nos Estados Unidos pode chegar a US$ 50 mil por ano [ou R$ 269 mil], então certamente tem uma restrição financeira importante aí que não vai permitir que esse medicamento seja incorporado tão facilmente como outros “, diz Lourenço.

O tratamento anual com o donanemabe nos EUA sai por, aproximadamente, US$ 32 mil (ou R$ 172 mil).

Os pacientes da rede privada, se assim puderem e desejarem e tiverem indicação clínica para, vão poder utilizar o lecanemabe como uma possibilidade terapêutica

— afirma.

Na perspectiva de Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai Brasil, farmacêutica responsável pelo lecanemabe, o remédio tem o potencial de mudar positivamente a vida de pacientes brasileiros.

No Brasil, quase dois milhões de pessoas convivem com algum tipo de demência, sendo que quase 70% delas são devido a doença de Alzheimer. As projeções indicam que esse número pode triplicar até 2050. Então a relevância desse avanço é inquestionável

— diz.

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