Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Após 25 anos de negociações, a União Europeia aprova o acordo de livre comercial com o Mercosul. Nesta sexta-feira, os 27 países do bloco se reuniram em Bruxelas e, por maioria, o tratado foi chancelado. Mas França, Irlanda e Hungria votaram contra e prometem criar obstáculos nos próximos meses para impedir que o projeto consiga, um dia, ser implementado.
Na próxima segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula van der Leyen, estará no Paraguai para, finalmente, assinar acordo.
Para que ele fosse aprovado dentro da UE, eram necessários 15 países que representassem pelo menos 65% da população europeia.
O protecionismo dos EUA, os abalos na geopolítica mundial e as demonstrações por parte de Donald Trump de que quer ser o ator principal no mercado latino-americano obrigaram os europeus a deixar sua hesitação com o Mercosul e optar pela aliança comercial, mesmo com alguns impactos para seus agricultores.
O governo Lula esperava assinar o tratado ainda em dezembro, durante sua presidência do Mercosul. Mas a UE ainda não tinha todos os votos para garantir que ele seria aprovado em Bruxelas.
Naquele momento, a chave no processo de convencimento era ainda a situação da Itália e da Romênia. Esses governos exigiam que a UE se comprometesse em ajudar os agricultores europeus, caso fossem abalados pelas importações de produtos do Brasil e Argentina, em especial.
Além de um cheque, a Comissão Europeia propôs um amplo pacote de medidas para monitorar as vendas de produtos agrícolas do Brasil e da região para o mercado da UE.
Lista de bens sensíveis: a criação de uma lista de 23 produtos sensíveis e que serão alvos de medidas específicas de proteção. Elas incluem carne bovina, suína e de aves, queijo, ovos, milho e sorgo, bem como açúcar, etanol e biodiesel.
impacto dessas importações nos mercados
— Monitoramento: a proposta prevê que os técnicos europeus farão um “monitoramento reforçado” desses setores. A cada seis meses, um relatório será enviado ao Conselho Europeu e ao Parlamento Europeu com uma avaliação do .
Em caso de sinais de “impactos negativos”, a Comissão investigará “sem demora” se os preços dos produtos dos países do Mercosul forem pelo menos 10% inferiores aos dos mesmos produtos europeus. O monitoramento também vai avaliar se, em comparação com o ano anterior, os volumes anuais importados aumentarem mais de 10%.
Para produtos sensíveis, a UE garante que adotaria freios e medidas de salvaguarda no prazo máximo de 21 dias após a notificação do pedido feito por um dos governos do bloco.
Um elemento central no processo negociador foi a posição da França. Na quinta-feira, Emmanuel Macron, sob pressão de agricultores que tinham ocupado a Torre Eiffel e outros monumentos de Paris, anunciou que não apoiaria o pacto com o Mercosul. Segundo ele, houve uma “rejeição unânime” entre os movimentos políticos franceses.
Seu gesto, porém, era uma manobra para salvar seu próprio governo, incapaz de levar adiante a aprovação do orçamento de 2026 e outras medidas legislativas. O temor em Paris era de que, se Macron aprovasse o acordo, seu mais recente primeiro-ministro seria derrubado.
O francês, então, decidiu votar contra o tratado com o Mercosul, mas sabendo que ele seria aprovado pela maioria da UE.
Jordan Bardella, líder da extrema-direita francesa, denunciou nesta semana a manobra de Macron e alertou que irá apresentar um projeto no Parlamento Europeu para tentar derrubar a atual gestão da Comissão Europeia.
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