O presidente da França Emanuel Macron anunciou que, nesta sexta-feira (9), vai votar contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Agricultores franceses temem a concorrência do agronegócio brasileiro, mais eficiente e produtivo.
Os tratores nas ruas de Paris são o último sinal de pressão, antes da decisão. O ato expõe o desconforto de parte dos campos europeus com a abertura do mercado a produtos sul-americanos, principalmente brasileiros que são produzidos com mais eficiência e custam menos. Os manifestantes querem evitar a concorrência e pedem barreiras para não perder mercado.
Defendido por Alemanha, Espanha e países do norte da Europa, o acordo vem sendo negociado há 26 anos. E passou a ser visto como uma resposta estratégica ao tarifaço dos Estados Unidos e à disputa comercial global, que aumentou sob o governo de Donald Trump.
Em Bruxelas, para consolidar o apoio, a Comissão Europeia fez concessões ao setor agrícola. Como a suspensão temporária de tarifas sobre fertilizantes e mais dinheiro. Até 45 bilhões de euros em financiamentos nos próximos sete anos.
Politicamente, porém, o caminho do acordo está quase fechado. A Itália indicou que vai apoiar a assinatura do tratado com o Mercosul, o que garante maioria no bloco e deixa a França praticamente sozinha na oposição.
Em cima da hora, a Itália fez uma nova exigência: o ministro da agricultura, Francesco Lollobrigida, quer mudar o a cláusula que prevê salvaguardas para a Europa caso os produtos do Mercosul fiquem mais baratos que os europeus.
O limite de diferença de preços atualmente é de 8%, e a Itália quer reduzir para 5%. O gatilho também acionaria as salvaguardas caso a entrada de produtos do Mercosul aumente em 5% de um ano para outro. Nesses casos, a Europa poderia suspender benefícios e reintroduzir tarifas.
Mesmo assim, a União Europeia caminha para confirmar a assinatura do acordo com o Mercosul na votação desta sexta-feira (9).
Os protestos na França, ainda que continuem, já não são suficientes para barrar a decisão. Tudo agora está nas mãos da Itália.
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