Uma parte considerável das mulheres com histórico de perdas recorrentes de gravidez — cerca de 20% — possui um anticorpo específico em comum que ataca o próprio organismo. Pesquisadores da Universidade de Kobe descobriram um tratamento que pode reverter essa condição, aumentando as chances de gestações sem complicações e de um parto saudável.
A pesquisa testou o uso de medicamentos já conhecidos em 48 mulheres para entender se seriam capazes de evitar que os anticorpos prejudicassem a gravidez. Os resultados promissores foram publicados na revista Frontiers in Immunology.
Cerca de 20% das mulheres com histórico de perda gestacional possuem um tipo específico de anticorpo no sangue. – Reprodução: freestocks/UnsplashTratamento pode evitar perda recorrente de gravidez
- Em um estudo anterior, a Universidade de Kobe havia descoberto uma causa comum entre mulheres com histórico de perda gestacional.
- Trata-se de um anticorpo específico, presente no sangue das mães, que tem como alvo seus próprios corpos.
- Esses anticorpos são quimicamente semelhantes aos de outras condições que já possuem tratamentos baseados em aspirina e heparina.
- Assim, os cientistas buscaram entender se esses medicamentos também seriam eficazes para evitar a perda gestacional.
- No experimento, um grupo de mulheres com histórico de perdas e que testaram positivo para o anticorpo foi orientado a passar por um tratamento que incluía os remédios após engravidarem.
- As mulheres que receberam doses baixas dos medicamentos tiveram 87% mais chances de sucesso na gravidez. E, entre os nascimentos, o risco de complicações caiu de 50% para 6%.
A aspirina é um medicamento usado para tratar dor, febre e inflamação, enquanto a heparina é um anticoagulante. – Imagem: Irin Fierce/ShutterstockLeia mais:
Avanços no tratamento de gestantes
Embora a amostra tenha sido pequena, com 39 mulheres que receberam o tratamento e oito que não, os resultados indicam que o uso de aspirina e heparina no tratamento pode levar a partos saudáveis.
As mulheres que testaram positivo apenas para os anticorpos recém-descobertos e receberam o tratamento apresentaram uma taxa de nascidos vivos de 93%, sem complicações. Isso sugere que o tratamento pode ser particularmente benéfico para esse grupo, que anteriormente enfrentava altas taxas de perda gestacional.
O investigador Tanimura Kenji explicou que o anticorpo também está relacionado à infertilidade e à falha na implantação na fertilização artificial, além de parecer ser um fator de risco para trombose arterial em mulheres com doenças reumáticas sistêmicas. Ou seja, os avanços podem ajudar a lidar com esses problemas no futuro.
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Tanimura Kenji ao Medical Xpress.