Uma operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta quinta-feira (29) resultou na prisão do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, e de outros servidores. A investigação aponta um complexo esquema de corrupção que teria movimentado mais de R$ 15 milhões em saques de dinheiro vivo, realizados em uma agência bancária convenientemente instalada nas dependências do próprio tribunal.
Os saques, que somam R$ 15,6 milhões em menos de um ano, foram identificados em contas vinculadas a Sérgio Ricardo. A ação da PF, determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), visa desarticular um grupo suspeito de desviar recursos públicos.
Detalhes da Operação da Polícia Federal
Além do presidente Sérgio Ricardo, foram detidos o procurador do tribunal, Grhegory Paiva Pires, a chefe de gabinete Roseli Loss, o secretário executivo Adriangelo Barros Antunes (ex-cunhado do presidente), e outros três servidores. Todos são suspeitos de envolvimento no esquema que priorizava repasses a empresas de publicidade em detrimento de fornecedores com contratos regulares.
A investigação se baseou em extratos bancários, relatórios de inteligência financeira e imagens de câmeras de segurança da agência bancária localizada no TCE-MT. As evidências apontam para uma estrutura administrativa do tribunal utilizada para facilitar pagamentos irregulares e a subsequente conversão dos valores em espécie, dificultando o rastreamento do dinheiro.
O Esquema de Saques Milionários
Entre janeiro e outubro do ano passado, foram registrados 150 saques. Desses, 64 ocorreram diretamente nos caixas bancários e 86 em terminais de autoatendimento. A movimentação chamou a atenção da PF por acontecer logo após o recebimento de valores do próprio TCE-MT, por meio de ordens bancárias avulsas e canais normalmente usados para pagamentos a fornecedores.
Sérgio Ricardo teria recebido R$ 15,4 milhões em 101 lançamentos bancários no período analisado. Desse montante, R$ 10,7 milhões foram classificados como ordens bancárias avulsas e R$ 4,3 milhões apareceram sob rubricas de pagamento a fornecedores. Apenas cerca de R$ 305 mil foram identificados como salário.
Papel dos Envolvidos e Evidências
A chefe de gabinete Roseli Loss, que atua na função desde janeiro de 2024, é apontada como uma das principais responsáveis pelos saques. A investigação revela que ela realizou retiradas que somam R$ 3,5 milhões em contas vinculadas ao núcleo investigado. Em pelo menos seis ocasiões, o dinheiro teria sido entregue a Adriangelo Barros Antunes.
A decisão judicial indica que Roseli Loss já movimentava contas de Sérgio Ricardo antes de se tornar oficialmente sua procuradora bancária. Entre as operações identificadas estão saques de R$ 200 mil em fevereiro de 2024 e R$ 340 mil em abril do mesmo ano. A Polícia Federal também identificou procedimentos em um celular de Roseli, interpretados como possível uso da biometria facial de Sérgio Ricardo para autorizar operações financeiras.
Posicionamento do TCE-MT
O g1 buscou o TCE-MT para obter um posicionamento sobre as investigações, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.