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Mais recente título conversível da Strategy acende alerta sobre 'fadiga cripto' | Criptomoedas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 25/02/2025 às 18:53 · Atualizado há 1 semana
Mais recente título conversível da Strategy acende alerta sobre 'fadiga cripto' | Criptomoedas
Foto: Reprodução / Arquivo

Quando a Strategy, de Michael Saylor, arrecadou US$ 2 bilhões em uma emissão de dívida conversível na semana passada, parecia mais um triunfo para as empresas que estão vendendo rapidamente títulos vinculados a ações para financiar compras de criptomoedas. No entanto, por trás do número chamativo, a decisão da Strategy de tornar os termos da oferta mais atraentes indicou um outro sinal: o mercado para esses papéis atrelados a cripto está se aproximando da saturação.

A Strategy e suas imitadoras levantaram bilhões de dólares nos últimos quatro meses, representando uma fatia cada vez maior do mercado mais amplo dos Estados Unidos. A MARA captou quase US$ 2 bilhões, enquanto a Riot Platforms e a Bitdeer Technologies também estiveram ativas. Isso se soma aos quase US$ 9 bilhões arrecadados pela Strategy.

O aumento na atividade fez com que o mercado vinculado a criptomoedas representasse cerca de 19% da emissão de instrumentos ligados a ações nos EUA nos últimos 14 meses, segundo o Bank of America.

“Isso já é maior do que os setores de energia, materiais básicos, bens de consumo essenciais — estamos chegando ao ponto em que isso se torna um fator significativo de desempenho e risco no mercado de conversíveis”, disse Michael Youngworth, chefe de estratégia global de conversíveis e preferenciais do banco, em entrevista.

Os recentes movimentos da Strategy, que até pouco tempo atrás se chamava MicroStrategy, para aumentar os retornos potenciais dos investidores levantaram algumas preocupações. Na oferta de notas conversíveis da semana passada, a empresa revisou para baixo o prêmio de conversão e incluiu uma opção de venda de três anos. Já a oferta de ações preferenciais em janeiro veio com um grande desconto.

A precificação dessas ofertas sugere que “o mercado está sofrendo fadiga com MSTR/cripto”, segundo Manoj Shivdasani, fundador e chefe de pesquisa da GSR Research, especializada em valores mobiliários ligados a ações.

Desde o início de 2024, cerca de US$ 17 bilhões foram levantados por meio de produtos vinculados a ações por empresas cujos negócios estão relacionados a ativos digitais ou cujas ofertas foram destinadas à compra de bitcoin (BTC), segundo cálculos do Bank of America. Depois de atingir um pico no outono, os termos dessas ofertas se tornaram mais favoráveis aos investidores, já que o maior ativo digital não bate um recorde há um mês. Isso levou os emissores a oferecerem cupons mais altos ou prêmios de conversão mais baixos do que em ofertas similares recentes.

“Existe o risco de saturar o mercado com papéis cripto — em algum momento, o mercado se tornará muito seletivo quanto ao que investir, e só alocará recursos em empresas que tenham o menor custo de aquisição de bitcoin”, disse Yan Jin, gestor sênior de portfólio da Columbia Threadneedle Investments.

Mesmo empresas que negociam com um prêmio sobre o valor de mercado de suas reservas de bitcoin, como a Strategy, tiveram que oferecer novas captações “com descontos para incentivar os investidores a participar”, acrescentou.

O prêmio do preço das ações da Strategy sobre o valor de seu bitcoin caiu de mais de 300% em novembro para menos de 200% nas últimas semanas, segundo dados compilados pela "Bloomberg". Essa mudança também está afetando o perfil de volatilidade da ação subjacente.

A estratégia da empresa de Saylor — e das que a imitam — é simples: vender ações e, neste caso, instrumentos de dívida para investidores que acreditam na visão da companhia ou querem lucrar com a volatilidade do papel. Enquanto as ações da empresa forem negociadas com prêmio sobre seu estoque de bitcoin, essa abordagem faz sentido.

A dúvida é se o bitcoin continuará renovando recordes — a criptomoeda subiu apenas 0,3% neste ano — e se a Strategy e outras como a MARA conseguirão manter a volatilidade. A volatilidade da Strategy caiu quase 60% desde o pico de dezembro, enquanto a da MARA praticamente seguiu o mesmo declínio no mesmo período, conforme dados da Bloomberg.

Nem todos estão preocupados com o risco de um mercado saturado de dívida conversível atrelada a cripto, pelo menos por enquanto.

“O mercado ainda tem apetite por bonds conversíveis ligados a cripto, desde que a precificação seja atraente”, disse Michael Gunner, gestor de portfólio da Acasta Partners. “O mercado tem preferência por estruturas de vencimento mais curto, prêmios de conversão mais baixos, cupons em dinheiro e períodos de bloqueio mais longos.”

Essas dinâmicas ficaram evidentes na última emissão da Strategy na semana passada. A oferta incluiu uma opção de recompra de três anos, permitindo que os detentores resgatassem os títulos antes do vencimento. Quando os papéis foram precificados, o prêmio de conversão foi fixado em 35%, abaixo dos cerca de 55% de uma emissão semelhante em novembro.

Com o bitcoin encontrando resistência após um salto de aproximadamente 50% em menos de seis meses, o caminho à frente para a Strategy e outras empresas que vendem notas conversíveis para apostar no ativo pode se tornar instável, caso os investidores comecem a evitar ativos de risco.

A história do bitcoin é marcada por alta volatilidade. Embora a Strategy tenha resistido às fortes oscilações da criptomoeda após o colapso da FTX — com o valor de mercado da empresa ultrapassando US$ 105 bilhões em novembro —, sua atual fase como uma aposta turbinada no ativo digital ainda não foi testada por uma correção severa.

Eles dependem de que as ações subjacentes e o próprio bitcoin permaneçam nesses níveis elevados

— disse Michael Youngworth, do Bank of America. “Se houver uma venda significativa, os bonds conversíveis podem sofrer uma queda considerável, e os investidores sentirão o impacto — até mesmo os fundos hedge podem não ter um bom desempenho.”

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