Por Catia Seabra
(Folhapress) – O presidente Lula determinou o início de negociações com partidos da base aliada para realizar uma reforma ministerial. A expectativa é que as conversas ocorram nas próximas duas semanas para que o redesenho do primeiro escalão do governo esteja traçado após as eleições para as presidências da Câmara e do Senado.
Lula se reuniu na quinta-feira (16) com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. O presidente orientou o auxiliar a discutir com as legendas que estão na Esplanada dos Ministérios possíveis trocas nas pastas que elas já ocupam, além de outras reivindicações.
A ordem dada pelo presidente dá contornos mais claros às mudanças que Lula pretende fazer para a segunda metade de seu mandato. Até então, havia desde apostas em mudanças pontuais a alterações mais abrangentes, passando por substituições que se restringissem ao PT, num primeiro momento.
Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (Foto: Reprodução/TvPT)
A avaliação feita no Palácio do Planalto também aponta para um processo mais longo do que aquele previsto pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. Na semana passada, ele chegou a afirmar que a reforma ministerial poderia ocorrer até o dia 21 de janeiro. A data coincidiria com a próxima reunião ministerial, prevista para o dia 20.
Mudanças para a segunda metado do governo Lula
O presidente está focando em aperfeiçoar a gestão. Portanto, há indicativo que as mudanças que o presidente quer fazer eventuais mudanças ainda neste mês, até para que quem entrar possa ter mais tempo de fazer alterações que presidente espera
— disse Rui, na ocasião.
Nesta semana, uma das mudanças estratégicas no governo para a segunda metade do mandato já foi oficializada com a posse do marqueteiro Sidônio Palmeira no comando da Secom (Secretaria de Comunicação Social), no lugar de Paulo Pimenta.
Há uma expectativa desde o ano passado para novas trocas na Esplanada que contemplem mais partidos da base aliada, como forma de ampliar o apoio ao governo no Congresso e estabelecer as bases para uma aliança que deve sustentar a candidatura governista na eleição presidencial de 2026.
A partir do resultado das eleições municipais, aliados do presidente apostam na ampliação do espaço ocupado pelo PSD da Câmara de Deputados. O próprio Lula deverá se reunir com o presidente do partido, Gilberto Kassab, na semana que vem.
Além do PSD da Câmara, há aposta na acomodação dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Eles deixarão o comando das duas Casas em fevereiro.
Dessas conversas dependerá o futuro do ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG). Antigo aliado do ministro, Pacheco avisou ao presidente que a permanência de Silveira já não atende a um pleito do partido.
Silveira teria que ser reacomodado em outra pasta, caso venha a ser substituído por Pacheco e o presidente deseje mantê-lo no governo. O ministro de Minas e Energia construiu uma relação próxima com Lula e com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
Ainda de acordo com aliados de Lula, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), poderá assumir um ministério na reforma. Petistas reivindicam para ela a Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Márcio Macedo.
Seu nome também é mencionado para os ministérios do Desenvolvimento Social e das Mulheres.
Um dos responsáveis por essa articulação, Padilha também é citado nas conversas sobre mudanças no governo. Um dos destinos possíveis seria o Ministério da Saúde, que já comandou.
Outra possível pasta seria a Defesa. O atual ministro, José Múcio Monteiro, já disse que não pretende ficar até o fim do governo. Segundo relatos, ele já sugeriu a Lula alguns nomes para seu lugar. Entre eles, o de Padilha. Outro nome seria o do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa. Diplomatas também são cogitados para a vaga.
Aliados do presidente têm afirmado que a reforma não será ampla. Mas poderá incluir o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Nesse caso, a conversa deverá ocorrer diretamente entre o presidente e seu vice.
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), se reuniu com Padilha na quinta-feira para discutir o espaço do partido no governo. Antes, se reuniu com Lula, como mostrou o Painel.
Apesar da expectativa de conclusão das conversas até a eleição para as direções da Câmara e do Senado, esse cronograma pode ser frustrado, como aconteceu nas articulações para a entrada do centrão no governo.
Desde o início de seu governo, Lula já demitiu seis ministros, contando com a mais recente troca na Secom, oficializada na terça-feira (14). No primeiro ano de governo, ele fez mudanças em três pastas para atender ao centrão: Esportes, Turismo e Portos e Aeroportos.